Nova rede nacional quer ajudar mais de 3.500 jovens a entrar no mercado de trabalho

Fundação Gulbenkian e quatro parceiros unem esforços para combater o desemprego e a exclusão entre jovens que não estudam nem trabalham

Cinco organizações nacionais juntaram-se para criar a Rede Empregar, uma nova plataforma de cooperação que pretende apoiar cerca de 3.500 jovens em situação de vulnerabilidade na integração profissional e na qualificação académica e técnica.

A iniciativa foi apresentada esta segunda-feira e resulta de uma parceria entre a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação “la Caixa”, o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e a Fundação BNP Paribas.

Apoio a mais de 3.400 jovens em todo o país

De acordo com os promotores, a Rede Empregar permitirá apoiar diretamente 3.438 jovens que atualmente não trabalham, não estudam nem frequentam qualquer tipo de formação profissional, integrando um conjunto de 43 projetos espalhados por todo o território nacional.

O objetivo passa por criar respostas mais eficazes para uma realidade que continua a afetar milhares de jovens portugueses, promovendo oportunidades de formação, desenvolvimento de competências e acesso ao emprego.

Combater o fenómeno dos jovens “Nem-Nem”

A rede dirige-se sobretudo aos chamados jovens “Nem-Nem” — aqueles que não se encontram empregados, não frequentam estabelecimentos de ensino e não participam em ações de formação.

Segundo Pedro Cunha, responsável pela iniciativa Gulbenkian Empregar, esta nova estrutura pretende chegar a diferentes perfis de jovens, desde recém-licenciados que permanecem desempregados, até jovens que abandonaram precocemente os estudos, enfrentam situações de desmotivação ou estão presos em ciclos de trabalho precário e mal remunerado.

“O desafio exige respostas diversificadas e adaptadas às diferentes realidades dos jovens”, defendeu o responsável.

Projetos adaptados a diferentes contextos

Uma das características da Rede Empregar é precisamente a diversidade de abordagens. Entre os vários projetos apoiados encontram-se programas de formação profissional destinados a comunidades migrantes, iniciativas de empreendedorismo social e ações ligadas às indústrias criativas e culturais.

Em Setúbal, por exemplo, decorre um projeto especialmente direcionado para jovens oriundos de países asiáticos, promovendo a sua qualificação profissional e integração rápida no mercado de trabalho.

Outras iniciativas apostam no desenvolvimento de competências através da música urbana e de expressões artísticas contemporâneas, ajudando jovens em contextos sociais mais vulneráveis a criar os seus próprios projetos profissionais e empresariais.

Influenciar políticas públicas

Além do apoio direto aos participantes, a Rede Empregar pretende contribuir para a melhoria das políticas públicas relacionadas com a empregabilidade jovem.

Os responsáveis acreditam que as boas práticas desenvolvidas pelos diversos projetos poderão servir de modelo para futuras estratégias nacionais de combate ao desemprego juvenil e à exclusão social.

“Queremos que aquilo que funciona possa ser replicado e ampliado para beneficiar mais jovens em todo o país”, sublinhou Pedro Cunha.

Portugal abaixo da média europeia

Os dados mais recentes do Eurostat mostram que Portugal continua a apresentar uma evolução positiva neste indicador.

Em 2025, a taxa de jovens entre os 15 e os 29 anos que não estudavam, não trabalhavam nem frequentavam formação situou-se nos 9%, abaixo da média da União Europeia, que foi de 11%.

A comparação com 2015 revela uma melhoria significativa: há dez anos, a taxa portuguesa atingia os 13,1%, enquanto a média europeia era de 15,2%.

Apesar da evolução favorável, os promotores da Rede Empregar consideram que ainda existe um caminho importante a percorrer para garantir que nenhum jovem fica excluído das oportunidades de formação, qualificação e emprego.

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