Fenprof considera que ministro da Educação “perdeu o controlo” da situação dos exames

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) defendeu esta quinta-feira que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, “perdeu o controlo” do processo de correção dos exames nacionais e considera que não reúne condições para continuar no cargo, na sequência dos problemas registados com o novo sistema de classificação digital.

O secretário-geral da Fenprof, José Feliciano, afirmou que continuam por corrigir milhares de itens das provas, apesar de o prazo para concluir a classificação dos exames do 11.º e 12.º anos ter terminado na quarta-feira, após já ter sido adiado por duas vezes.

Queixa na Procuradoria-Geral da República

A Fenprof anunciou que vai entregar, esta sexta-feira, uma queixa na Procuradoria-Geral da República (PGR), acompanhada de um pedido de inquérito, para apurar responsabilidades relativamente ao processo de correção dos exames.

Sindicato rejeita responsabilidades dos professores

Segundo a estrutura sindical, os problemas resultam de uma decisão política de implementar este ano a correção digital das provas sem que estivessem reunidas as condições necessárias.

José Feliciano rejeitou qualquer tentativa de responsabilizar os docentes, afirmando que:

  • Os professores não criaram a crise;
  • A plataforma informática apresentou falhas desde o início;
  • Muitos classificadores receberam provas durante a noite para conseguir recuperar atrasos;
  • O esforço dos docentes não pode servir para ocultar falhas de gestão.

Receio de impacto no calendário escolar

A Fenprof alerta ainda para as consequências que esta situação poderá provocar:

  • aumento significativo dos pedidos de reapreciação das provas;
  • atrasos no calendário da segunda fase dos exames;
  • perturbações no processo de acesso ao ensino superior;
  • impacto na preparação do próximo ano letivo e no período de férias dos professores.

Na véspera, o ministro Fernando Alexandre tinha referido que 99,3% das provas já estavam corrigidas, mas admitiu que existia o risco de os resultados não serem divulgados dentro do prazo inicialmente previsto.

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