Treinador de 60 anos recusou propostas do estrangeiro para ficar perto da família e assume o comando dos famalicenses com a ambição de construir uma equipa competitiva e sem receios.
Carlos Carvalhal foi oficialmente apresentado como novo treinador do FC Famalicão, assumindo que regressa ao ativo por convicção e não por necessidade, depois de ter recusado propostas financeiramente muito superiores provenientes do estrangeiro.
Na apresentação, o técnico explicou que a escolha pelo clube minhoto foi motivada por razões desportivas, pessoais e familiares.
“Era o clube onde queria trabalhar”
Carvalhal afirmou que o FC Famalicão reunia todas as condições que procurava: uma estrutura estável, boas infraestruturas, um plantel jovem e uma administração em quem confia.
Mas a decisão teve também uma forte componente emocional.
O treinador revelou que o pai, natural de Brufe, em Vila Nova de Famalicão, ficou profundamente emocionado quando soube que o filho iria orientar o clube da sua terra.
“Fiquei extremamente satisfeito quando tive a oportunidade de dizer ao meu pai: ‘Vou treinar o clube da tua terra’. Ficou muito contente. Gostava muito de lhe dar uma grande alegria no final da época.”
Recusou propostas milionárias
Depois de um ano afastado dos bancos, período em que colaborou como comentador televisivo, Carlos Carvalhal revelou que recebeu propostas do Médio Oriente, Brasil e México.
Apesar de reconhecer que eram ofertas “financeiramente quase irrecusáveis”, optou por permanecer em Portugal.
Segundo explicou, nesta fase da vida dá prioridade à família, ao pai e aos netos.
“Queria muito dormir todos os dias na minha casa, estar perto da minha família, do meu pai e dos meus netos.”
Ambição sem prometer classificações
O treinador recusou estabelecer objetivos em termos de classificação final, preferindo definir a identidade que pretende para a equipa.
Carvalhal quer um Famalicão competitivo, corajoso e capaz de discutir qualquer jogo independentemente do adversário.
“Quero uma equipa competitiva que olhe, olhos nos olhos, qualquer adversário e que entre em campo a pensar que pode ganhar seja quem for.”
E deixou ainda uma promessa aos adeptos:
“Contem com o FC Famalicão para estragar algumas coisas.”
Continuidade com identidade própria
Questionado sobre o trabalho realizado por Hugo Oliveira, recentemente transferido para o Estrasburgo, Carlos Carvalhal elogiou o seu antecessor, classificando o trabalho desenvolvido como “excelente”.
Revelou igualmente que manteve uma conversa com Hugo Oliveira, que se mostrou disponível para transmitir toda a informação necessária sobre o plantel.
Apesar disso, garantiu que a sua equipa terá uma identidade própria.
“Não vamos fazer copy-paste, porque isso não existe.”
O treinador explicou que aproveitará tudo o que considera positivo da época anterior, introduzindo progressivamente as suas ideias de jogo e a sua metodologia de trabalho.
Com esta apresentação, Carlos Carvalhal inicia oficialmente uma nova etapa da carreira, regressando ao futebol português para liderar um FC Famalicão que pretende continuar a afirmar-se entre as equipas mais competitivas da I Liga.
































