Secretário-geral do PCP participou na Festa-Convívio de Verão da CDU, em Braga, onde criticou as políticas do Governo nas áreas da saúde, educação, transportes e trabalho, defendendo uma alternativa de esquerda
A Praia Fluvial de Merelim São Paio, em Braga, recebeu a tradicional Festa-Convívio de Verão da CDU, uma iniciativa que reuniu militantes do PCP e do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), bem como simpatizantes da coligação, num ambiente marcado pelo convívio, animação e intervenção política.
Ao longo do dia, os participantes desfrutaram de um programa que incluiu animação musical, atividades desportivas, jogos tradicionais, iniciativas para crianças e um piquenique comunitário, culminando com as intervenções dos dirigentes da CDU.
O momento mais aguardado foi a presença do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, que foi recebido com entusiasmo pelos participantes e aproveitou a ocasião para dirigir duras críticas ao Governo PSD/CDS, defendendo que “a política de direita vai continuar a somar derrotas”.
Críticas à situação de Braga e do distrito
A sessão política começou com a intervenção de Nour Ribeiro, membro da Direção da Organização Regional de Braga do PCP, que traçou um retrato crítico da realidade do concelho e do distrito.
O dirigente comunista acusou o Governo de promover políticas que têm vindo a degradar as condições de vida das populações e apontou a área da saúde como uma das maiores preocupações.
Segundo Nour Ribeiro, o Serviço Nacional de Saúde continua subfinanciado e o Executivo prepara o regresso de uma parceria público-privada para o Hospital de Braga.
“O Governo PSD/CDS prepara uma PPP para o Hospital de Braga, abrindo caminho para a sua privatização. O que defendemos é a manutenção da gestão pública do Hospital e de toda a Unidade Local de Saúde, bem como a construção de uma nova ala de cirurgia e a elevação do Hospital de Braga a hospital universitário.”
Transportes entre as prioridades
Nour Ribeiro criticou igualmente a política de mobilidade para a região, defendendo investimentos estruturantes que, segundo afirmou, foram rejeitados pela maioria parlamentar.
Entre as prioridades apontadas estão a ligação ferroviária entre Braga e Guimarães e a construção da Variante do Cávado.
O dirigente lamentou que estas propostas, apresentadas pelo PCP durante a discussão do Orçamento do Estado, tenham sido rejeitadas com os votos contra do PSD e do CDS e a abstenção do PS e da Iniciativa Liberal no caso da variante.
Criticou ainda a aposta do Governo e da Câmara Municipal no sistema de Bus Rapid Transit (BRT), considerando que o projeto se afastou da solução inicialmente apresentada para a cidade.
CDU alerta para política ambiental
Também Filipe Gomes, membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”, usou da palavra para reafirmar o compromisso da CDU com a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável.
O dirigente ecologista criticou o Programa Sectorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis, promovido pelo Governo, considerando que o mesmo favorece os interesses de grandes grupos privados em detrimento do interesse público e da preservação do território.
Paulo Raimundo acusa Governo de aumentar desigualdades
Na intervenção de encerramento, Paulo Raimundo fez uma avaliação fortemente crítica dos dois anos de governação PSD/CDS.
O secretário-geral do PCP afirmou que nenhum dos principais problemas do país foi resolvido e sustentou que Portugal está hoje “mais injusto e mais dependente”.
Segundo o líder comunista, a riqueza produzida pelos trabalhadores continua concentrada num número reduzido de grandes grupos económicos, enquanto persistem dificuldades relacionadas com os baixos salários, o aumento do custo de vida, os preços da habitação e das prestações bancárias.
Críticas ao Conselho de Ministros em Guimarães
Paulo Raimundo dirigiu ainda críticas à realização do Conselho de Ministros em Guimarães, considerando que a iniciativa teve um caráter essencialmente mediático.
Na sua perspetiva, as comemorações da Batalha de São Mamede não escondem aquilo que classificou como uma política de entrega de empresas e setores estratégicos nacionais a interesses estrangeiros.
Exames nacionais também estiveram na mira
O secretário-geral do PCP abordou igualmente os problemas registados com os exames nacionais, acusando o Governo de falta de responsabilidade e de procurar transferir culpas.
Paulo Raimundo criticou as explicações dadas pelo Executivo para os constrangimentos verificados, afirmando que o Governo responsabilizou professores, famílias e até questões logísticas, sem assumir as próprias falhas.
O dirigente comunista relacionou ainda os problemas com o que considera ser um processo continuado de desinvestimento na estrutura do Ministério da Educação, Ciência e Inovação.
Defesa da luta dos trabalhadores
Outro dos temas centrais da intervenção foi a recente contestação às alterações da legislação laboral.
Paulo Raimundo considerou que a mobilização dos trabalhadores representou uma importante vitória política e social, defendendo que demonstrou ser possível travar medidas apoiadas pelos principais grupos económicos.
Segundo afirmou, essa vitória constitui um sinal de esperança para o país e reforça a importância da mobilização popular.
“O Governo continuará a somar derrotas”
A encerrar a intervenção, o secretário-geral do PCP mostrou-se convicto de que a contestação social continuará a crescer.
“A luta dos trabalhadores derrotou o Pacote Laboral e mostrou que, por muita força que tenham os grupos económicos e por mais apoio político que tenham, não controlam tudo. O Governo e a política de direita vão continuar a somar derrotas”, concluiu Paulo Raimundo perante os participantes na Festa-Convívio de Verão da CDU em Braga.































