Quatro dias de música transformaram a Praia Fluvial do Taboão num dos grandes pontos de encontro do verão. Underworld, Wet Leg, Kneecap, M.I.A., Bloc Party, Thundercat e Amyl and the Sniffers foram alguns dos nomes fortes de um cartaz que voltou a cruzar grandes referências internacionais com a música portuguesa
O Vodafone Paredes de Coura 2026 terminou este sábado depois de quatro dias de concertos, descobertas musicais e momentos que ficarão associados à história do festival minhoto. Cerca de 115 mil pessoas passaram pela Praia Fluvial do Taboão, num evento que voltou a afirmar a sua identidade alternativa e que teve este ano um acontecimento absolutamente singular: um eclipse solar acompanhado ao vivo por milhares de festivaleiros.
Um eclipse transformou o primeiro dia
A edição arrancou a 12 de agosto, precisamente no dia em que Portugal assistiu a um raro eclipse solar. O fenómeno coincidiu com a atuação de First Breath After Coma e Salvador Sobral, criando um dos momentos mais simbólicos de toda a edição.
Enquanto o céu escurecia, milhares de pessoas interromperam por momentos a dinâmica habitual do festival para olhar para o fenómeno astronómico. O eclipse foi transmitido nos ecrãs do palco Vodafone durante o concerto, numa combinação pouco habitual entre música e astronomia que acabou por marcar o arranque do Couraíso.
A primeira noite contou ainda com Wet Leg, Kneecap e CMAT, além de The Horrors, Horsegirl, University, Capitão Fausto e outros projetos que ajudaram a apresentar a diversidade de uma programação que se estendeu por vários palcos.
Underworld levaram a eletrónica ao limite
O segundo dia ficou marcado pela presença dos Underworld, que encerraram a programação principal depois de uma jornada que passou pelo rock, indie, eletrónica e propostas mais intimistas.
A Garota Não e Milhanas representaram a música portuguesa, enquanto Kurt Vile & The Violators, Hermanos Gutiérrez, Aldous Harding e Show Me The Body contribuíram para uma programação particularmente diversificada.
Os Underworld assumiram depois o palco principal e transformaram o anfiteatro natural do Taboão numa enorme pista de dança, num dos momentos de maior intensidade da edição.
Sérgio Godinho protagonizou um dos momentos mais emocionantes
A sexta-feira trouxe uma das maiores celebrações da música portuguesa. Sérgio Godinho e Os Assessores com Amigos juntaram em palco nomes como Samuel Úria, Manuela Azevedo, Milhanas, A Garota Não, Ana Lua Caiano e Capicua.
O concerto transformou o recinto num espaço de celebração da liberdade, com várias gerações a cantar algumas das canções mais marcantes da carreira de Sérgio Godinho. A atuação foi apontada como um dos momentos mais fortes e emocionantes da edição.
M.I.A. e Bloc Party incendiaram a terceira noite
Depois de Sérgio Godinho, a fasquia manteve-se elevada. Benjamin Clementine, Bloc Party e M.I.A. protagonizaram uma das noites mais concorridas e intensas do festival.
Os Bloc Party regressaram a Paredes de Coura duas décadas depois da sua primeira presença no festival, reencontrando um público que acompanhou de perto a evolução da banda britânica.
Já M.I.A. encerrou a noite com uma atuação marcada pela mistura de hip-hop, eletrónica e influências de diferentes culturas, num dos grandes momentos internacionais desta edição.
O último dia foi de festa até ao fim
O último dia ficou marcado por propostas muito diferentes entre si. Patrick Watson, sozinho ao piano, proporcionou um dos momentos mais intimistas do festival, perante um público particularmente atento e silencioso.
A música ganhou depois outra dimensão com Meute, banda alemã que cruza instrumentos de sopro e percussão com música eletrónica e que protagonizou uma das maiores festas da edição.
Thundercat levou ao palco principal a sua complexidade musical e virtuosismo, antes de Amyl and the Sniffers encerrarem oficialmente a edição com uma explosão de punk, energia e crowdsurfing.
A atuação da banda australiana transformou o final do festival numa enorme celebração, com mosh pits, público aos saltos e muita poeira a marcar os últimos minutos dos quatro dias de Coura.
Um festival que continua a apostar na descoberta
Mais do que os grandes nomes, o Paredes de Coura voltou a apostar na descoberta de artistas e projetos menos conhecidos. O palco Coura Sem Paredes manteve-se como um dos principais espaços para novas propostas, enquanto o Jazz na Relva proporcionou uma experiência mais próxima e tranquila junto ao rio Coura.
Ao longo da edição passaram ainda pelo festival nomes como Cate Le Bon, Maruja, Joy Orbison, Carolina Durante, Vendredi Sur Mer, Terraplana, Friko, Julia Mestre, Noiserv, Dame Area e Marie Davidson, entre muitos outros.
Música, cultura e novas experiências
A edição de 2026 procurou também reforçar a dimensão cultural do festival. Entre as novidades esteve o V. Cast – Um Género de Conversa, ciclo de podcasts ao vivo dedicado a temas como misoginia, igualdade de género e inclusão.
O festival voltou igualmente a promover as Vodafone Music Sessions, com concertos de pequena dimensão realizados em locais inesperados da vila e arredores, aproximando artistas e público fora do recinto principal.
115 mil pessoas no Couraíso
No balanço final, a organização apontou para cerca de 115 mil entradas acumuladas durante os quatro dias. O número confirma a dimensão alcançada pelo festival, embora represente entradas ao longo dos vários dias e não necessariamente 115 mil pessoas diferentes.
O resultado mantém Paredes de Coura entre os grandes acontecimentos musicais do verão português, mas sem abdicar da característica que o diferencia: uma relação muito próxima entre público, artistas, natureza e território.
O diretor do festival, João Carvalho, considerou que a edição não foi “a melhor de sempre”, mas deixou a promessa de que 2027 poderá ser ainda melhor.
Coura já prepara o regresso
Com a edição de 2026 encerrada, já há datas para o próximo encontro. O Vodafone Paredes de Coura regressa de 18 a 21 de agosto de 2027, novamente junto à Praia Fluvial do Taboão.
Depois de quatro dias em que a música se cruzou com um eclipse, grandes concertos, descobertas e milhares de histórias, fica a sensação de que o Couraíso voltou a cumprir a sua promessa: ser mais do que um festival e transformar-se, durante alguns dias, num lugar onde a música, a natureza e o público vivem juntos.







































