“Fuck Chega” no Vilar de Mouros gera polémica e provoca reação da autarca de Caminha

Vilar De Mouros

Liliana Silva diz ser “inadmissível” a mensagem exibida pelas Lambrini Girls durante o concerto e garante que se demarca “completamente” do episódio. Autarca sublinha que o festival “não tem partido nem cores”.

A atuação das Lambrini Girls no Festival de Vilar de Mouros ficou marcada por um momento de natureza política que provocou a reação da presidente da Câmara Municipal de Caminha.

Durante o concerto da banda britânica de punk rock, realizado na noite de terça-feira, foi exibida uma mensagem com a expressão “Fuck Chega”, numa referência ao partido político português.

O gesto motivou uma reação pública de Liliana Silva, presidente da Câmara de Caminha, que considerou o episódio “lamentável” e afirmou demarcar-se “completamente” da atitude da banda.

Autarca fala em situação “inadmissível”

Numa publicação partilhada nas redes sociais, a autarca social-democrata manifestou o seu desagrado perante o episódio e defendeu que o Festival de Vilar de Mouros deve permanecer afastado de qualquer aproveitamento partidário.

“Demarco-me completamente desta situação que considero inadmissível”, afirmou Liliana Silva.

A presidente da autarquia considerou que o festival deve ser, acima de tudo, um espaço de celebração e de convivência, independentemente das posições políticas dos artistas ou do público.

“O festival de Vilar de Mouros é um espaço de celebração, música e união, devendo pautar-se pelo respeito pelas pessoas e pela sua história”, escreveu.

“O festival de Vilar de Mouros não tem partido nem cores”

Liliana Silva rejeitou igualmente aquilo que considera ser uma tentativa de associar o festival a qualquer força política.

“Repúdio a situação desta artista da mesma forma que repúdio aproveitamentos políticos em torno disto. O festival de Vilar de Mouros não tem partido nem cores. Pertence ao concelho de Caminha”, afirmou.

A autarca mostrou-se particularmente crítica pelo facto de uma banda ter utilizado o palco do festival para transmitir uma mensagem de natureza política.

“Fico revoltada por artistas usarem o festival para insultar seja o que for”, declarou, considerando que este tipo de comportamento é “atentatório da liberdade, do respeito e da sã convivência” que pretende ver associados ao evento.

Lambrini Girls exibiram mensagem durante o concerto

As Lambrini Girls, duo britânico formado por Phoebe Lunny, na voz e guitarra, e Lilly Macieira, no baixo, atuaram no Vilar de Mouros ao início da noite de terça-feira.

Durante a atuação, foi mostrada uma imagem com a frase “Fuck Chega”, numa manifestação pública de oposição ao partido.

O momento rapidamente gerou discussão nas redes sociais e acabou por motivar a intervenção pública da presidente da Câmara de Caminha.

A polémica surge num festival que, ao longo da sua história, recebeu artistas nacionais e internacionais de diferentes estilos e gerações, mantendo uma forte identidade cultural e musical.

Liliana Silva espera que polémica não afete o festival

Apesar das críticas à atuação das Lambrini Girls, a presidente da Câmara de Caminha apelou a que o episódio permaneça isolado e não condicione os restantes dias do festival.

“Espero que este episódio isolado seja ultrapassado”, afirmou.

A autarca desejou ainda que a programação prossiga com normalidade, destacando a qualidade dos artistas que ainda vão passar pelo palco do Vilar de Mouros.

“Que continuem os próximos dias de festival, com grandes bandas e magníficos músicos, mas com respeito, muita música e um bom ambiente como tem sido sempre”, acrescentou.

Um festival com mais de seis décadas de história

O Festival de Vilar de Mouros é um dos eventos musicais mais históricos de Portugal e é frequentemente associado à designação de “Woodstock à portuguesa”.

As suas raízes remontam a 1965, quando o evento apresentava uma dimensão essencialmente local. Nos anos seguintes, foi ganhando projeção e alargando o programa a diferentes áreas musicais, incluindo música clássica, jazz e fado.

A primeira grande edição realizou-se em 1971, com a presença de nomes como Elton John, Manfred Mann e Quarteto 1111, tornando Vilar de Mouros num acontecimento de dimensão nacional.

De U2 a GNR: Vilar de Mouros tornou-se referência nacional

O festival regressou em 1982 com um cartaz que incluía nomes como U2, Durutti Column, Echo and the Bunnymen, The Raincoats, A Certain Ratio, Jafumega, GNR, Carlos Paredes e Tom Robinson Band.

A partir de 1996, passou a assumir uma periodicidade anual, embora tenha registado posteriormente um interregno de oito anos, entre 2006 e 2014.

Desde então, o Vilar de Mouros consolidou-se como um dos principais festivais de música realizados no Norte de Portugal, atraindo milhares de espectadores e artistas internacionais.

Edição deste ano termina no sábado

A edição de 2026 do Festival de Vilar de Mouros prossegue até sábado, 22 de agosto, com concertos agendados diariamente a partir das 17:00.

O evento é organizado pela Surprise & Expectation, contando com o apoio da Câmara Municipal de Caminha e da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros.

A polémica provocada pela mensagem exibida pelas Lambrini Girls deverá, contudo, permanecer como um dos episódios mais comentados desta edição do histórico festival minhoto.