Golo madrugador de João Guilherme decidiu o encontro, com o guarda-redes Ewerton a assumir papel decisivo na resistência do Académico. Gilistas continuam com sete pontos
O Gil Vicente sofreu este domingo a primeira derrota na edição 2026/27 da I Liga, ao perder por 1-0 no terreno do Académico de Viseu, em partida da quinta jornada.
Um golo de João Guilherme, logo aos quatro minutos, foi suficiente para dar o triunfo aos viseenses, que resistiram depois à forte pressão dos minhotos, muito por culpa de uma exibição de grande nível do guarda-redes Ewerton.
A derrota interrompe o início positivo de campeonato do conjunto de Barcelos, que tinha somado duas vitórias e um empate nas primeiras jornadas. O Gil Vicente sofreu também o primeiro golo na competição e mantém-se com sete pontos.
João Guilherme marcou logo aos quatro minutos
O Académico de Viseu praticamente entrou em campo a ganhar. Aos quatro minutos, João Guilherme aproveitou o espaço concedido à entrada da área e, com um remate forte, bateu Lucão, colocando os anfitriões em vantagem.
O golo obrigou o Gil Vicente a assumir desde cedo as despesas do encontro. A equipa minhota passou a instalar-se no meio-campo adversário e procurou desmontar a organização defensiva do Académico sobretudo através dos corredores.
Weverson deu o primeiro sinal de perigo aos nove minutos, mas foi aos 20 que surgiu uma das melhores oportunidades para o empate. Héctor Hernández cabeceou na sequência de uma iniciativa ofensiva, mas encontrou pela frente Ewerton, que respondeu com uma excelente intervenção.
Ewerton trava reação dos minhotos
O Gil Vicente manteve a pressão e continuou a criar situações junto da baliza viseense.
Aos 24 minutos, a lesão de Weverson obrigou Luís Pinto a mexer na equipa, com a entrada de David Moreira. A alteração não diminuiu a intensidade ofensiva dos gilistas, que continuaram a procurar o empate.
Aos 28 minutos, Joelson Fernandes esteve muito perto de marcar. O remate do jogador gilista foi desviado por Ewerton e acabou por embater no poste.
Pouco depois, aos 34 minutos, foi Diogo Prioste a ficar a centímetros do golo, num período em que o Gil Vicente dominava territorialmente, mas encontrava enormes dificuldades para ultrapassar a resistência do guarda-redes brasileiro.
Já nos descontos da primeira parte, Ewerton voltou a assumir protagonismo ao negar o empate a Gil Martins.
Luís Pinto reforça ataque após o intervalo
Perante a necessidade de dar a volta ao resultado, Luís Pinto reforçou a frente de ataque no início da segunda parte, lançando Mohamed Kaba e Andreas Lausen e passando a utilizar dois avançados.
As alterações deram maior presença ofensiva ao Gil Vicente, que voltou a entrar forte.
Aos 49 minutos, Héctor Hernández cabeceou ao lado e, cinco minutos depois, Murilo ficou perto do empate com um remate de longa distância que passou muito próximo do poste.
O Académico de Viseu, obrigado a baixar as linhas para proteger a vantagem, tentou aproveitar os espaços concedidos pelos visitantes nas transições ofensivas. André Clóvis chegou mesmo a tentar surpreender Lucão com um remate ainda antes do meio-campo.
Pressão até ao fim não chegou para evitar derrota
Com o decorrer da segunda parte, o Gil Vicente instalou-se cada vez mais no último terço do terreno.
Depois das entradas de José Silva e Tidjany Touré, a equipa de Barcelos aumentou ainda mais a pressão sobre a baliza do Académico. Murilo voltou a ameaçar, enquanto Tidjany Touré obrigou novamente Ewerton a uma intervenção de qualidade.
Héctor Hernández, um dos jogadores mais interventivos do ataque gilista, ainda conseguiu colocar a bola no fundo da baliza já na fase final da partida. No entanto, o lance acabou por ser invalidado devido a uma falta.
O Gil Vicente tentou até ao último instante chegar ao empate, mas encontrou pela frente um Académico de Viseu muito compacto e um Ewerton decisivo entre os postes.
Académico quebra jejum de 37 anos
O triunfo tem ainda um significado especial para o conjunto viseense. O Académico de Viseu voltou a vencer no principal escalão do futebol português, algo que não acontecia há 37 anos.
Com os três pontos conquistados, a equipa passa a somar cinco pontos, enquanto o Gil Vicente permanece com sete.
Para os minhotos, fica a primeira derrota da época e a necessidade de reagir na próxima jornada, depois de um início de campeonato em que a equipa tinha conseguido manter-se invicta nas quatro primeiras partidas.
Luís Pinto lamenta derrota em Barcelos: «Fizemos o suficiente para sair daqui com os três pontos»
Treinador do Gil Vicente considera que os minhotos criaram oportunidades para evitar a primeira derrota da época e admite que o golo sofrido aos quatro minutos «destabilizou» a equipa
Luís Pinto considerou este domingo que o Gil Vicente fez o suficiente para conquistar os três pontos frente ao Académico de Viseu, apesar da derrota por 0-1, em Barcelos, na quinta jornada da I Liga.
No final da partida, o treinador gilista destacou os dados estatísticos do encontro e lamentou a forma como a equipa sofreu o único golo, logo aos quatro minutos, num momento que, segundo reconheceu, acabou por condicionar a resposta da formação minhota.
«Basta olhar para os dados [estatísticos] e perceber que o resultado podia ser outro. Sofremos o golo logo aos quatro minutos e foi a primeira vez que aconteceu esta época, o que nos destabilizou», explicou Luís Pinto.
Gil Vicente teve oportunidades para empatar
Apesar do início desfavorável, o técnico entende que a sua equipa conseguiu reagir e criar situações suficientes para chegar ao empate ainda durante a primeira parte.
«Ainda assim, na primeira parte podíamos ter chegado ao empate e depois do intervalo fomos insistindo, mas não conseguimos», afirmou.
O Gil Vicente aumentou a pressão após o intervalo e passou grande parte da segunda parte instalado no meio-campo do Académico de Viseu, mas não conseguiu transformar o domínio territorial e as oportunidades criadas em golos.
Na reta final, Luís Pinto reconheceu que a equipa perdeu alguma clarividência, embora mantenha a convicção de que o resultado poderia e deveria ter sido diferente.
«Na parte final perdemos alguma clarividência, mas, ainda assim, fizemos o suficiente para sair daqui com os três pontos», sublinhou.
Luís Pinto explica mudanças ao intervalo
O treinador gilista explicou também as alterações efetuadas ao intervalo, justificando a entrada de jogadores com características que procuravam dar maior profundidade e capacidade de transporte à equipa.
«Com o golo sofrido, a pressão do Académico ficou diferente e precisávamos de colocar dentro de campo um jogador que nos desse mais profundidade e outro que transportasse a bola», explicou.
Luís Pinto destacou ainda a influência dessas mudanças no jogo ofensivo de Héctor Hernández, que passou a ter maior liberdade para se associar no ataque.
«O Héctor, jogando com um homem ao lado, acaba por se associar mais. Quem entrou esteve bem», acrescentou.
Bruno Pinheiro celebra vitória «importantíssima»
Do lado do Académico de Viseu, Bruno Pinheiro valorizou especialmente a vitória conquistada em Barcelos, lembrando que todos os adversários que tinham jogado no terreno do Gil Vicente esta temporada tinham saído derrotados.
«Todos os adversários que jogaram aqui em Barcelos, esta época, saíram derrotados», começou por destacar o treinador viseense.
Bruno Pinheiro reconheceu que o golo permitiu ao Gil Vicente assumir maior iniciativa, mas considerou que a sua equipa conseguiu dar uma boa resposta durante a primeira parte.
«Depois do golo, o Gil Vicente empurrou-nos, mas na primeira parte ainda demos réplica», afirmou.
Na segunda metade, o Académico acabou por baixar mais as linhas e concentrar esforços na defesa da vantagem.
«Na segunda parte não fizemos o jogo que mais gostaríamos, mas hoje o importante era a vitória», admitiu.
«Só se ganha confiança com as vitórias»
O técnico viseense atribuiu ainda importância ao apoio vindo das bancadas, considerando que os adeptos tiveram um papel relevante na capacidade da equipa para resistir à pressão do Gil Vicente.
«Sentimos muito o apoio dos nossos adeptos e, se conseguimos resistir, foi, muito provavelmente, graças ao apoio deles», afirmou.
Bruno Pinheiro deixou ainda elogios aos seus jogadores e aos adeptos pelo triunfo alcançado.
«Parabéns aos meus jogadores pelos três pontos e parabéns aos nossos adeptos», disse.
Para o treinador do Académico, o triunfo pode representar um importante impulso para a equipa na sequência do regresso ao principal escalão do futebol português.
«É uma vitória importantíssima. Só se ganha confiança com as vitórias», frisou.
Académico ganha confiança em Barcelos
Bruno Pinheiro admitiu que, com mais três pontos na classificação, a equipa poderia ter abordado o encontro de forma ainda mais ambiciosa, mas considera que a vitória diante de um Gil Vicente que ainda não tinha perdido constitui um sinal positivo.
«Se tivéssemos mais três pontos, se calhar fazíamos mais na segunda parte. Vir a Barcelos ganhar, contra uma equipa que nunca tinha perdido, tem de nos dar confiança para o que aí vem», afirmou.
O treinador do Académico terminou destacando a competitividade demonstrada pela equipa frente a adversários que considera fazerem parte do mesmo campeonato.
«Temos estado competitivos com as equipas do ‘nosso’ campeonato», concluiu.
Ficha de jogo
Jogo no Estádio Cidade de Barcelos, em Barcelos.
Gil Vicente – Académico de Viseu, 0-1.
Ao intervalo: 0-1.
Marcador
0-1, João Guilherme, 04 minutos.
Equipas
Gil Vicente: Lucão, Ricardo Esgaio (José Silva, 63), Marvin Elimbi, Jonathan Buatu, Weverson (David Moreira, 24), Zé Carlos (Andreas Lausen, 46), Diogo Prioste, Murilo, Gil Martins (Mohamed Kaba, 46), Joelson Fernandes (Tidjany Touré, 71) e Héctor Hernández.
(Suplentes: Tiago, Samuel Portugal, José Silva, Antonio Espigares, Tidjany Touré, Andreas Lausen, Agustín Moreira, Martín Fernández, David Moreira, Gonçalo Maia e Mohamed Kaba).
Treinador: Luís Pinto.
Académico de Viseu: Ewerton, Robinho (Tomás Domingos, 67), Anthony Correia, Michelis, Gustavo Costa (Miguel Brau, 74), Messeguem, Luís Silva, Kahraman (Mestanza, 67), João Guilherme (Nils Mortimer, 74), André Clóvis e Álvaro Zamora (Gohi, 60).
(Suplentes: Marcos Lavín, Juan Soriano, Miguel Brau, Pedro Barcelos, André Ceitil, Cristian Ferreira, Tomás Domingos, Nils Mortimer, Rúben Pereira, Alejandro Mestanza, Gohi e Paulinho).
Treinador: Bruno Pinheiro.
Árbitro: Pedro Ramalho (AF Évora).
Ação disciplinar: cartão amarelo para Robinho (56) e Tomás Domingos (81).
Assistência: 5.916 espetadores.
































