Vimaranenses dominaram e remataram 26 vezes, mas não conseguiram marcar. Casa Pia segurou o nulo em Guimarães e continua sem golos no campeonato
O Vitória SC não foi além de um empate sem golos na receção ao Casa Pia, este domingo, no Estádio D. Afonso Henriques, em partida da quinta jornada da I Liga.
A formação vimaranense dominou grande parte do encontro, criou várias oportunidades e acertou por três vezes nos ferros da baliza adversária, mas encontrou pela frente um inspirado Ivan Mandić, que entrou ainda na primeira parte para substituir o lesionado André Gomes e acabou por ser decisivo na conquista de um ponto para os visitantes.
Os números traduzem o domínio do Vitória: 26 remates e 17 cantos, um recorde de pontapés de canto numa partida desta edição do campeonato. Ainda assim, faltou eficácia no momento decisivo.
Com este resultado, o Vitória passa a somar quatro pontos e ocupa o 10.º lugar. O Casa Pia continua sem marcar na I Liga e soma agora um ponto, mantendo-se no 18.º lugar, em igualdade pontual com o Estoril Praia, que ainda tem um jogo por disputar.
Primeira parte ganha intensidade depois de meia hora
Os primeiros 30 minutos foram pouco emotivos, com o Vitória a assumir o domínio territorial, mas sem conseguir criar oportunidades claras de golo.
O principal acontecimento desse período acabou por ser a lesão do guarda-redes do Casa Pia, André Gomes, que sofreu um problema no joelho e teve de abandonar o encontro. Ivan Mandić entrou para o seu lugar e viria a assumir um papel determinante.
A partida ganhou outra intensidade aos 34 minutos.
Na sequência de um canto cobrado por João Rego, David Silva surgiu na área e cabeceou ao poste direito da baliza do Vitória, naquele que foi o primeiro grande aviso dos visitantes.
A resposta dos vimaranenses surgiu pouco depois. Aos 36 minutos, Samu apareceu isolado perante Mandić, mas o guarda-redes croata respondeu com uma excelente defesa.
Dois minutos mais tarde, foi Pauwels a obrigar Oliwier Zych a intervir, num período em que o jogo finalmente ganhou ritmo e passou a ter oportunidades junto das duas balizas.
Vitória acerta duas vezes nos ferros
O Vitória terminou a primeira parte a pressionar o Casa Pia e esteve muito perto de chegar ao intervalo em vantagem.
Doucet, à entrada da área, rematou forte e acertou no poste, deixando o conjunto vimaranense a lamentar mais uma oportunidade perdida.
O azar prolongou-se para a segunda parte.
Aos 53 minutos, Gustavo Silva bateu um livre que ainda tocou na trave da baliza casapiana, naquele que foi o terceiro remate aos ferros do encontro.
Casa Pia fecha espaços e resiste à pressão
Perante o crescente domínio do Vitória, Filipe Coelho mexeu na equipa e efetuou quatro alterações para procurar dar maior capacidade de contra-ataque aos visitantes.
No entanto, o Casa Pia teve dificuldades para sair em transição e passou grande parte da segunda parte recuado, permitindo ao Vitória manter-se instalado junto da sua área.
Os vimaranenses continuaram a procurar o golo, mas revelaram dificuldades para encontrar soluções pelo corredor central e dependeram sobretudo das ações pelas alas para desmontar o bloco defensivo adversário.
Mandić trava Samu e Gustavo Silva
Aos 59 minutos, Samu voltou a ter uma excelente oportunidade para inaugurar o marcador, mas não conseguiu ultrapassar Mandić.
O guarda-redes croata voltou a aparecer em grande plano aos 78 minutos, desta vez para negar o golo a Gustavo Silva.
Apesar da pressão constante, o Vitória não conseguiu transformar o domínio em vantagem.
Patrick Ouotro quase decide no último suspiro
A equipa da casa continuou a procurar o golo até ao último lance da partida.
Depois de vários cruzamentos que foram afastados pela defesa ou que não encontraram uma finalização eficaz, o Vitória esteve muito perto de conquistar os três pontos já no derradeiro momento.
Patrick Ouotro, lançado na segunda parte, tentou um desvio de calcanhar, mas um jogador do Casa Pia conseguiu intercetar a bola praticamente em cima da linha de baliza.
Foi o último suspiro de uma partida em que o Vitória tudo fez para ganhar, mas em que a falta de eficácia, os ferros e a inspiração de Mandić acabaram por ditar um empate que deixa os vimaranenses com quatro pontos ao fim de cinco jornadas.
Tiago Margarido frustrado após novo empate: «Se estivéssemos aqui até amanhã, a bola não entrava»
Treinador do Vitória SC lamenta falta de eficácia frente ao Casa Pia, depois de duas bolas nos postes e várias oportunidades desperdiçadas. «Quatro pontos em cinco jogos não nos satisfazem»
Tiago Margarido não escondeu a frustração depois do empate sem golos entre Vitória SC e Casa Pia, este domingo, no Estádio D. Afonso Henriques, em jogo da quinta jornada da I Liga.
O treinador vimaranense considera que a sua equipa produziu o suficiente para conquistar os três pontos, mas voltou a ficar penalizada pela falta de eficácia. Duas bolas nos postes e várias oportunidades criadas não foram suficientes para desbloquear uma partida que terminou com um nulo.
«Estou muito frustrado com este resultado. Mal era se não estivesse. A equipa trabalhou, produziu, teve muitas oportunidades, duas bolas no poste. Teve estatísticas avassaladoras, mas, mais uma vez, faltou a finalização. Temos de ser mais eficazes», afirmou Tiago Margarido.
Vitória entrou intranquilo, mas cresceu no jogo
O técnico explicou também a opção pelo meio-campo apresentado de início, justificando a decisão com as características físicas do adversário.
«Teve a ver com o poderio físico do adversário. É uma equipa extremamente alta, com quatro jogadores acima dos 1,90 metros», explicou.
Tiago Margarido admitiu que o Vitória entrou algo intranquilo, mas sublinhou a evolução da equipa ao longo da partida.
«A equipa entrou um pouco intranquila, mas, ao longo do jogo, foi crescendo. Mesmo na primeira parte, penso que já merecia ir para o intervalo a ganhar», considerou.
«Serei sempre o primeiro a dar a cara»
No final do encontro, alguns adeptos manifestaram o seu desagrado perante mais um resultado aquém das expectativas. Tiago Margarido assumiu a responsabilidade enquanto treinador e garantiu que continuará a enfrentar o momento de frente.
«Serei sempre o primeiro a dar a cara. Os jogadores deram tudo, trabalharam, esforçaram-se. Tudo foi feito. Temos de trabalhar a eficácia. Serei o primeiro a ‘dar a cara’ enquanto treinador», afirmou.
O treinador entende que os resultados alcançados até ao momento não correspondem ao rendimento apresentado pela equipa.
«Pelo que produzimos até agora, merecíamos muitos mais pontos. Não tem acontecido, mas, pelo que fizemos hoje, é extremamente injusto», defendeu.
«Quatro pontos em cinco jogos não nos satisfazem»
Com apenas quatro pontos conquistados nas primeiras cinco jornadas, o Vitória SC está longe do arranque pretendido.
Tiago Margarido reconhece que a pontuação está aquém das expectativas e deixa claro que a equipa precisa de começar a transformar as boas exibições em vitórias.
«Se estivéssemos aqui até amanhã, a bola não entrava na mesma. Quatro pontos em cinco jogos não nos satisfazem. O que nos ‘alimenta’ são as vitórias», afirmou.
Apesar do momento menos positivo, o treinador garante que a equipa não vai baixar os braços e já aponta ao próximo desafio.
«Vamos continuar a lutar. Em Viseu, [contra o Académico] estaremos novamente preparados para a luta», garantiu.
Filipe Coelho destaca «espírito» do Casa Pia
Do lado do Casa Pia, Filipe Coelho valorizou sobretudo a capacidade de resistência demonstrada pela sua equipa num estádio tradicionalmente difícil.
«Saliento o espírito que se mostrou hoje aqui. Dou uma palavra ao André e ao Ivan, que o substituiu no jogo e que teve um impacto brutal. Não é fácil entrar neste estádio, com este ambiente», afirmou.
O treinador lisboeta considerou que o plano delineado para a primeira parte foi cumprido quase na perfeição.
«O plano de jogo que traçámos na primeira parte foi cumprido na íntegra. Estamos a mostrar muita aprendizagem no campeonato», destacou.
Casa Pia também ficou perto de marcar
Filipe Coelho lembrou que o Casa Pia também teve uma oportunidade clara para marcar, nomeadamente num cabeceamento de David Sousa ao poste na sequência de um canto.
«Depois, sentimos alguma falta de sorte num canto a nosso favor, em que David Sousa cabeceia ao poste», recordou.
O treinador reconheceu que o Vitória terminou a primeira parte por cima, mas atribuiu parte desse crescimento a desconcentrações da sua própria equipa.
«O Vitória cresce no final da primeira parte, também fruto de desconcentrações nossas, e também acerta no poste», analisou.
«Nem sempre vamos brilhar pelo talento»
Na segunda parte, Filipe Coelho destacou a capacidade do Casa Pia para mostrar personalidade e organização, mesmo perante a pressão do Vitória.
«A segunda parte mostra o traço de personalidade desta equipa. Nem sempre vamos brilhar pelo talento. Às vezes, terá de ser pela coesão», afirmou.
O objetivo passava por manter a baliza inviolada, algo que a equipa conseguiu concretizar.
«Queríamos sair daqui com a baliza ‘a zeros’. Saímos não completamente satisfeitos, mas conseguir um ponto contra o Vitória, uma equipa bem organizada e bem orientada, valoriza o nosso processo», acrescentou.
Falta de golos explicada por «centímetros»
O Casa Pia continua sem marcar no campeonato, mas Filipe Coelho considera que a estatística não traduz totalmente aquilo que a equipa tem produzido.
«É uma questão de centímetros. Com as bolas que colocámos no poste. Na semana passada, foram duas contra o Moreirense e ganhávamos. Hoje, foi outra em que podíamos ter entrado a ganhar», explicou.
O técnico revelou ainda que as contratações de Henrique Araújo e Mohamed Salah têm como objetivo aumentar a qualidade das opções ofensivas.
Lesão de André Gomes deixa incerteza
Questionado sobre a lesão de André Gomes, Filipe Coelho admitiu ainda não conhecer a gravidade do problema.
«Não sei a gravidade da lesão e a extensão da lesão», afirmou.
O treinador garantiu, contudo, confiança nos jogadores disponíveis para responder às ausências.
«Quem está no banco está para ajudar. Cá estaremos para apoiar o André», concluiu.
Ficha de jogo
Jogo no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães.
Vitória SC – Casa Pia, 0-0.
Equipas
– Vitória SC: Oliwier Zych, Tony Strata, Sidibé (Oscar Rivas, 70), Thiago Balieiro, João Mendes, Beni Mukendi, Doucet (Patrick Ouotro, 87), Samu (Gonçalo Nogueira, 87), Miguel Nogueira (Oumar Camara, 70), Gustavo Silva e Alioune Ndoye (Jakupovic, 62).
(Suplentes: Juan Castillo, Miguel Maga, Óscar Rivas, Francisco Dias, Mitrovic, Santiago Verdi, Gonçalo Nogueira, Oumar Camara, Telmo Arcanjo, Victor Andersson, Patrick Ouotro e Jakupovic).
Treinador: Tiago Margarido.
– Casa Pia: André Gomes (Ivan Mandić, 29), André Geraldes, Khaly (João Goulart, 70), David Sousa, Pedro Rosas, Lawrence Ofori, Selvi Clua, Kevin Prieto (JP, 45), João Rego, Benjamin Pauwels (Mohamed Salah, 56) e Alassana Jatta (Henrique Araújo, 56).
(Suplentes: Ivan Mandić, João Goulart, Gabi Pereira, Sebastián Pérez, JP, Abdu Dafé, Evans Maurin, Aymen Zouin, Rochinha, Mohamed Salah, Henrique Araújo e Cassiano).
Treinador: Filipe Coelho.
Árbitro: Gustavo Correia (Associação de Futebol do Porto).
Ação disciplinar: cartão amarelo para Ivan Mandić (62), Gustavo Silva (62), JP (72) e Thiago Balieiro (85).
Assistência: 16.628 espetadores.






























