Maioria das vítimas são crianças, adolescentes e jovens. Viatura ficou no fundo de uma ravina de difícil acesso e as equipas de socorro enfrentaram condições particularmente exigentes para retirar os ocupantes
Uma das maiores tragédias rodoviárias de que há memória em Cabo Verde deixou 25 pessoas mortas e 18 feridas na ilha do Fogo, depois de um autocarro ter saído da estrada e caído por uma encosta com cerca de 30 metros de altura.
O acidente aconteceu ao final da tarde de sábado, na estrada que liga Chã das Caldeiras a Campanas de Cima, numa zona montanhosa do município de Santa Catarina do Fogo. O veículo transportava sobretudo crianças, adolescentes e jovens que regressavam de um passeio. O condutor também morreu no acidente.
A violência da queda e as características do terreno transformaram desde as primeiras horas a operação de socorro numa missão particularmente difícil. O autocarro ficou imobilizado numa zona de ravina, rodeado por rocha e com acessos muito condicionados.
Uma ravina de 30 metros dificultou o acesso ao autocarro
O autocarro despistou-se numa zona serrana e acabou por cair cerca de 30 metros por uma encosta íngreme.
A localização da viatura obrigou bombeiros, elementos da Proteção Civil, Polícia Nacional e equipas de saúde a trabalhar num terreno de acesso complicado, onde a circulação de meios pesados e a aproximação ao veículo se revelaram especialmente difíceis.
Alguns passageiros ficaram encarcerados no interior do autocarro, enquanto outros foram projetados para fora da viatura na sequência da queda.
As operações de socorro prolongaram-se durante a noite, perante a necessidade de retirar vítimas de uma zona particularmente acidentada.
“Manobra extremamente complexa” para retirar a viatura
A própria retirada do autocarro constitui agora um dos maiores desafios das operações no local.
As características do terreno, a profundidade da ravina e a posição em que a viatura ficou imobilizada obrigam a uma operação cuidadosamente planeada. O comandante Jorge Mendes, comentador da CNN Portugal, classificou a remoção do veículo como uma “manobra extremamente complexa”, tendo em conta as condições existentes no local.
Mais do que retirar simplesmente o autocarro, a operação envolve garantir a segurança dos meios envolvidos e evitar novos riscos numa zona de forte declive e difícil acesso.
25 mortos e 18 feridos
O balanço mais recente aponta para 25 vítimas mortais e 18 feridos, quatro dos quais permanecem em estado grave.
Entre os sobreviventes encontram-se crianças com idades entre os seis e os 11 anos, segundo informação divulgada pelas autoridades. A maioria dos passageiros era constituída por estudantes do ensino secundário das localidades de Curral Grande e Ponta Verde.
Sete das vítimas mortais foram sepultadas durante a madrugada, tendo em conta as condições dos corpos, enquanto as autoridades e as famílias continuam a enfrentar uma situação de enorme dor.
Uma equipa médica multidisciplinar deslocou-se entretanto à ilha do Fogo para reforçar a capacidade de resposta hospitalar, incluindo especialistas de várias áreas, perante a gravidade dos ferimentos registados.
Passeio não foi organizado pelas escolas
Apesar de a maioria dos passageiros ser constituída por estudantes, as autoridades escolares esclareceram que o passeio não foi organizado pelas escolas.
Tratava-se de uma iniciativa promovida pelo próprio motorista do autocarro, que, segundo as informações divulgadas, organizava anualmente um passeio para os alunos que transportava durante o ano letivo.
O grupo tinha visitado Chã das Caldeiras, regressando depois em direção a Campanas de Cima quando ocorreu o acidente.
Causas do acidente ainda estão por esclarecer
As circunstâncias que levaram o autocarro a sair da estrada continuam a ser investigadas pelas autoridades cabo-verdianas.
Nas primeiras informações surgiu a possibilidade de um problema num pneu ter estado na origem da perda de controlo da viatura, mas essa hipótese ainda não foi oficialmente estabelecida como causa do acidente.
A investigação deverá procurar determinar exatamente o que aconteceu antes da saída da estrada e esclarecer todos os fatores que contribuíram para a queda.
Cabo Verde em choque
A dimensão da tragédia provocou uma forte reação em todo o país.
O Presidente da República, José Maria Neves, classificou o acidente como uma “grande catástrofe” e apresentou condolências às famílias das vítimas, manifestando também solidariedade para com os feridos.
O chefe de Estado deslocou-se à ilha do Fogo para acompanhar a situação e prestar apoio às comunidades afetadas. O primeiro-ministro, Francisco Carvalho, também liderou uma comitiva governamental que se deslocou à ilha, acompanhada por uma equipa médica.
O município de São Filipe decretou dois dias de luto municipal e anunciou medidas destinadas a apoiar as famílias das vítimas.
A tragédia deixa uma comunidade profundamente marcada e coloca as equipas de emergência perante uma das operações de socorro mais exigentes dos últimos anos em Cabo Verde, tanto pela dimensão do acidente como pelas condições do local onde o autocarro ficou imobilizado.


































