Presidente do SC Braga foi castigado pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, que lhe aplicou ainda uma multa de 4.970 euros. Em causa estão declarações dirigidas ao árbitro Gustavo Correia, após a derrota frente ao Gil Vicente, no balneário da equipa de arbitragem.

António Salvador, presidente do SC Braga, foi suspenso por 23 dias e multado em 4.970 euros pelo Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), na sequência de um episódio ocorrido após a derrota dos minhotos frente ao Gil Vicente, por 1-2, na última segunda-feira.

O castigo está relacionado com declarações dirigidas ao árbitro Gustavo Correia, que dirigiu o encontro da nona jornada do campeonato, e enquadra-se nas infrações de «lesão da honra e da reputação e denúncia caluniosa», segundo o comunicado do Conselho de Disciplina.

Salvador pediu para entrar no balneário da arbitragem

De acordo com o relatório citado pelo CD, António Salvador pediu autorização para aceder ao balneário da equipa de arbitragem, tendo o pedido sido aceite. O dirigente fez-se acompanhar por Vítor Ferreira, delegado da Liga, e Jaime Teixeira, diretor do departamento de futebol da equipa principal do SC Braga.

Durante a presença no local, o presidente dos arsenalistas terá dirigido as seguintes palavras ao árbitro Gustavo Correia:

«O senhor faça um favor, deixe a arbitragem, falsifica documentos. O senhor psicologicamente não está em condições nenhumas de arbitrar jogos nenhuns, é o estado que a arbitragem portuguesa está.»

As declarações constam do processo disciplinar que esteve na origem da suspensão e da multa aplicadas ao dirigente bracarense.

SC Braga acusa arbitragem de erros com impacto nos resultados

O castigo surge num contexto de forte contestação do SC Braga à arbitragem, depois da derrota frente ao Gil Vicente. Num comunicado intitulado «Desnorte da arbitragem», o clube apontou vários lances polémicos e voltou a criticar a atuação do Conselho de Arbitragem (CA) e a intervenção do videoárbitro.

Os arsenalistas contestam, em particular, o lance que antecedeu o golo do empate do Gil Vicente, aos 49 minutos, por considerarem que existiu uma falta sobre Pau Víctor. O clube questiona igualmente a decisão de não assinalar uma grande penalidade sobre Ricardo Horta, já nos descontos, depois de um contacto na zona do joelho direito do capitão bracarense.

O SC Braga criticou ainda a decisão de manter o cartão amarelo mostrado a Ricardo Horta por alegada simulação, considerando que os lances em causa tiveram influência direta no resultado.

Conselho de Arbitragem também é visado

No mesmo comunicado, o clube minhoto alargou as críticas à liderança do Conselho de Arbitragem, considerando que a sua atuação tem contribuído para a instabilidade no setor.

O SC Braga referiu também ter conhecimento de um briefing interno relativo à oitava jornada, no qual a direção do CA terá indicado que o lance ocorrido aos 49 minutos do encontro frente ao Sporting não deveria ser considerado grande penalidade. Segundo os bracarenses, essa orientação terá provocado confusão entre os árbitros, por divergir da interpretação de vários especialistas.

«É para o SC Braga evidente que o atual Conselho de Arbitragem e a sua liderança constituem um enorme fator de instabilidade para o setor», afirmou o clube, que voltou a pedir uma intervenção superior para devolver confiança à arbitragem e salvaguardar a integridade das competições.

A suspensão de António Salvador surge, assim, num momento de tensão entre o SC Braga e os responsáveis pela arbitragem, depois de mais um resultado que motivou fortes críticas do clube às decisões tomadas durante o jogo.

Comunicado na íntegra:

“Comunicado | Desnorte da arbitragem

Não obstante as análises e as ações internas sobre o momento desportivo da equipa principal de futebol, que constituem o foco de toda a estrutura, jogadores e staff, é imperativo que o SC Braga mantenha voz firme sobre o desnorte que afeta o sector da arbitragem e que o Clube e o seu Presidente têm vindo a denunciar.

Esta segunda-feira, no jogo frente ao Gil Vicente FC, repetiram-se erros flagrantes com impacto no resultado e que sinalizam muito negativamente os árbitros, mas também, e sobretudo, o VAR, que não agiu perante erros claros e óbvios, conforme impõem os protocolos.

É inexplicável a inação na análise do lance que resulta no 1-1, e que se inicia com falta claríssima sobre o jogador Pau Víctor, sendo evidentes as marcas no tornozelo direito do avançado. E se este lance é merecedor de revisão para anulação do golo, é também inconcebível que, depois de análise demorada, o VAR não tenha evidenciado o penálti cometido sobre Ricardo Horta, já em descontos, por falta flagrante do defensor do Gil Vicente FC, que atingiu, de sola, o joelho direito do capitão do SC Braga, impedindo-o de finalizar. Para cúmulo, prevaleceu o amarelo a Ricardo Horta por simulação.

São erros grosseiros e, mais uma vez, com impacto direto no resultado, mas que acima de tudo surgem na sequência de um arranque de campeonato altamente errático da parte da arbitragem e que, conforme já sinalizado, teve impacto pontual extensível aos jogos contra o Moreirense FC e contra o Sporting CP.

Expostos os factos, com os quais o SC Braga não deixará de confrontar publicamente a liderança do sector, impõe-se também a denúncia de factos ocorridos nos últimos dias:

– Tendo o Conselho de Arbitragem recuado radicalmente na partilha de informações com o público, inclusive as avaliações qualitativas dos árbitros e dos VAR, é do conhecimento do SC Braga que, na passada semana, se realizou um briefing de análise da jornada 8, tendo a Direção do CA dado indicações de que o lance aos 49 minutos do SC Braga x Sporting CP não é penálti. Esta diretriz, contrária à análise da generalidade dos especialistas, gerou enorme confusão no quadro de árbitros e é reveladora da desorientação da liderança, que para além de exposta para o exterior, caiu em descrédito também entre os seus;

– O SC Braga entende que conversas privadas entre elementos do jogo devem permanecer enquanto tal, mas faz fé no que foi revelado pelo treinador Carlos Vicens relativamente à arbitragem do jogo contra o Sporting CP. Fica registada, porém, a celeridade com que o Conselho de Arbitragem disparou contra-informação para os media e que nos merece duas notas. A primeira para congratular a liderança pela sua atenção em tempo real, que contrasta com episódios recentes; a segunda para assinalar que estaremos atentos à coerência que o precedente merecerá.

É para o SC Braga evidente que o atual Conselho de Arbitragem e a sua liderança constituem um enorme factor de instabilidade para o sector, patente na intranquilidade que os árbitros revelam em campo e na falência da rede de segurança que devem constituir os vídeo-árbitros na Cidade do Futebol. Nesse sentido, o Clube reitera a urgência de uma intervenção superior que possa devolver à arbitragem a confiança necessária e que salvaguarde a integridade das competições.”

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