O primeiro-ministro e líderes partidários estiveram reunidos com especialistas para avaliar a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, um encontro marcado pela ausência do Presidente da República. As medidas só serão apresentadas amanhã, mas hoje António Costa frisou que há um grande consenso para que as medidas de confinamento geral durem um mês.

O primeiro-ministro afirmou hoje que há um grande consenso para que as medidas de confinamento geral a decretar tenham um horizonte de um mês e que Portugal regista uma dinâmica de “fortíssimo crescimento” de casos de covid-19.

Esta posição foi assumida por António Costa no final de mais uma reunião destinada a analisar a evolução da situação epidemiológica em Portugal, no Infarmed, em Lisboa, na qual o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, participou por videoconferência.

O primeiro-ministro declarou que na reunião com os epidemiologistas permitiu que concluir que “houve um grande consenso” sobre a trajetória de crescimento de novos casos de infeção do novo coronavírus e que “as medidas devem ter um horizonte de um mês”.

“Estamos perante uma dinâmica de fortíssimo crescimento de novos casos que é necessário travar”, salientou António Costa.

Sobre o ensino, o primeiro-ministro frisou que durante a reunião foi “consensual que não é a escola em si que é foco de infeção”, mas sim “um fator de movimentação”. Ou seja, “o grande tema de divergência tem a ver com o funcionamento das escolas”.

Os principais destaques da Reunião do Infarmed
Balanço epidemiológico

André Peralta Santos, director de serviços de Informação e Análise, foi o primeiro especialista a explicar a situação epidemiológica. “Estamos com uma trajetória crescente, atingindo um máximo histórico da incidência cumulativa”, disse.

Analisando a dispersão da incidência no país, o que se observa é “um agravamento generalizado da situação epidemiológica, com áreas com incidência extremamente elevada superior a 960 casos por 100 mil habitantes dispersas um pouco por todo por todo o território, e com grande parte do território com incidências superiores a 480 casos por 100 mil habitantes”, frisou.


“A população tradicionalmente ativa dos 20 aos 60 tem incidências normalmente habitualmente superiores à média nacional, principalmente esta faixa etária dos 20 aos 30 e dos 30 aos 40”, apontou.

O que se observa “são quase dois grandes grupos: Portugal continental com todas as regiões a subir e com incidências relativamente próximas e as regiões autónomas com uma tendência crescente, mas com incidências bastante inferiores”.

Óscar Felgueiras, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, explicou a evolução do vírus por concelhos na região Norte. A região norte está com um nível de crescimento alto, superior a 30% em grande parte do território; o concelho mais crítico é o de Viana do Castelo;


Duarte Tavares, do Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, fez um ponto de situação desta região e assinalou que o crescimento de casos depois do Natal foi “maior do que o esperado”;

“Verifica-se que de novembro para dezembro, e de dezembro para janeiro, temos cada vez mais casos em mais jovens”, avançou sem especificar números.

Na chegada ao aeroporto de Lisboa, em média, “diariamente, mais de 100 cidadãos portugueses não trazem o teste feito e recusam fazê-lo”.

Fecho das escola teria uma eficácia muito maior na “redução mais rápida e acentuada” do RT (indicador que define o grau de transmissibilidade de infeção), disse Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. No entanto, explicou o especialista com base em estudos, é possível manter reduzir este indicador com as escolas abertas, desde que se fechem outros setores de atividade.

Portugal já teve a sua própria variante, avançou João Paulo Gomes, especialista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Variante portuguesa teve como origem “um ou dois voos” provenientes de Milão, em meados de fevereiro do ano passado. Alguns “industriais do Norte infetados terão espalhado uma variante genética, que originou uma disseminação massiva pelo Norte e Centro do país”, acrescentou.

No Natal, cerca de “5 mil casos escaparam ao processo normal de testagem”. O número foi dado por Manuel do Carmo Gomes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Mesmo com o confinamento, Manuel do Carmo Gomes prevê 14 mil casos por dia dentro de duas semanas, salientando que este número “não é aceitável”. “Será difícil evitar as 140-150 mortes por dia”, disse ainda.
Para passar aos sete mil casos serão necessárias aproximadamente três semanas, assumindo uma descida média semelhante à da primeira vaga, de menos 3,2%.

Relativamente aos internamentos, as projeções apontam para já 700 internados em unidade de cuidados intensivos. “Vamos ultrapassar essa linha”, lamentou.

Vacinação

Portugal deve receber esta semana o primeiro de lote de vacinas da Moderna. Ao todo são 8.400 doses, revelou Francisco Ramos, Coordenador da Task Force para o Plano de Vacinação.

Até ao dia 11 de janeiro, Portugal recebeu mais de 161 mil doses de vacinas da Pfizer.
“O próximo momento decisivo tem a ver com a aprovação da vacina da AstraZeneca, é possível e há indícios de que ainda ocorra em janeiro. Soubemos que a empresa entregou todo o dossier na Agência Europeia do Medicamento (EMA) e isso significa que se esse cenário se confirmar teremos em fevereiro e março mais 1,4 milhões de doses de vacinas para administrar, o que quer dizer que poderemos tornar este processo mais rápido”, afirmou Francisco Ramos

O coordenador revelou ainda que não há notícia de reações adversas à vacinas da Pfizer já administradas em Portugal

74.099 pessoas foram inoculadas entre 26 de dezembro e 8 de janeiro, destas cerca de 55 mil são profissionais de saúde (9 mil nos centros de saúde públicos, 750 dos hospitais das Forças Armadas e 1.267 de profissionais do INEM) e 7.500 são utentes de lares

Face ao ritmo de distribuição das vacinas, o especialista diz que “dificilmente conseguiremos ultrapassar a primeira fase da vacinação no primeiro trimestre do ano”.

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