Mortágua reconhece “grande derrota” do Bloco de Esquerda mas mantém candidatura à liderança

BE Mariana mortágua Catariana Martins e Francisco Louça

BE elege apenas um deputado nas Legislativas de 2025. Coordenadora nacional garante que continuará a liderar o partido e será recandidata na convenção de novembro.

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, reconheceu este domingo uma “grande derrota” do partido nas eleições legislativas de 2025, nas quais o BE passou de cinco para apenas um mandato no Parlamento. Apesar da quebra eleitoral, a líder garantiu que mantém a sua candidatura à coordenação do partido na próxima Convenção Nacional, marcada para novembro.

“Assumir [a derrota] é o primeiro passo para fazermos em conjunto a reflexão necessária”, afirmou Mortágua durante a noite eleitoral.

Derrota enquadrada na “viragem à direita”

A dirigente bloquista justificou o resultado com uma “viragem à direita no mundo, na Europa e também em Portugal”, considerando este movimento “avassalador”.

“Os tempos são difíceis e nós não escolhemos os tempos em que calhámos viver”, sublinhou, acrescentando que o partido “sabia desde o início que esta seria uma campanha difícil”.

Estratégia de campanha será revista

Mariana Mortágua defendeu a campanha realizada, que privilegiou o contacto direto com os eleitores através de ações “porta a porta” e uma forte aposta nas redes sociais, ao invés de arruadas ou visitas a mercados.

“É uma campanha da qual nos orgulhamos. Foi a campanha que achámos necessária para enfrentar estes tempos difíceis”, afirmou.

Compromisso com o futuro do partido

Questionada sobre a continuidade da sua liderança após os fracos resultados, Mortágua garantiu que não se demitirá e que continuará a liderar o processo interno do BE.

“Teremos tempo para reunir a direção. Há um processo convencional marcado para breve e estarei nele”, disse, confirmando que será recandidata à liderança na convenção de novembro.

Apesar da quebra, Mariana Mortágua reforçou que cada lugar perdido no Parlamento representa “uma lutadora ou um lutador” a menos contra a extrema-direita, garantindo que o partido continuará a combater estas forças, “na rua e nas instituições”.