Em entrevista à RTP3, o líder do Chega atacou instituições do regime, defendeu uma mudança constitucional e prometeu manter o estilo combativo como líder da oposição.
O novo líder da oposição, André Ventura, afirmou esta quarta-feira que apenas reconhece a credibilidade conferida pelo povo português, desvalorizando o papel de entidades como o Tribunal Constitucional ou a comunicação social. “Estou-me nas tintas se a RTP, a Provedoria de Justiça ou o Tribunal Constitucional nos dão ou não credibilidade. Só me interessa a credibilidade de uma entidade: o povo português”, declarou o presidente do Chega na Grande Entrevista, emitida pela RTP3.
Ventura defendeu ainda a necessidade de uma nova Constituição que garanta a separação de poderes e proteja verdadeiramente a Justiça. Referindo-se a casos mediáticos, como o de José Sócrates e o processo Casa Pia, criticou duramente o que chamou de “podridão absoluta do regime”, referindo tentativas de interferência política na Justiça.
“Posso ser primeiro-ministro, Presidente da República, o que for: a mama tem de acabar em Portugal e os bandidos têm de ir para a prisão”, reiterou, sublinhando que manterá o estilo combativo independentemente do cargo que ocupe.
Críticas ao Parlamento e acusações ao PSD
A entrevista surge num contexto de tensão política, após a eleição dos órgãos da Assembleia da República. Dois candidatos do Chega — entre eles Diogo Pacheco de Amorim, antigo vice-presidente do Parlamento — não foram eleitos, o que Ventura classificou como uma “traição” por parte do PSD.
“À primeira curva do momento, o PSD trai o Chega e chumba os seus candidatos. A matemática não engana”, acusou, referindo-se ao número insuficiente de votos recebidos. Ainda que o PS e o PSD tenham garantido ter dado indicação de voto favorável, Ventura apontou a inconsistência entre o número de deputados e os votos registados como sinal de deslealdade.
Pacheco de Amorim admitiu a possibilidade de alguns deputados do Chega não terem votado nos nomes apresentados pelo partido, mas Ventura rejeitou qualquer responsabilidade interna. “Mesmo que um, dois ou três elementos do Chega não estivessem de acordo, os números não batem certo. Alguém nos traiu”, insistiu.
O líder do Chega confirmou que se reuniu com o grupo parlamentar e está a ponderar novos nomes para submeter ao Parlamento. Disse ainda esperar explicações do PSD e do PS: “Se não vierem, não terei outra leitura senão a de uma traição política.”



































