Antigo secretário de Estado e ex-presidente da InvestBraga assume cargo após separação das funções de liderança na companhia aérea
O Governo nomeou Carlos Oliveira, natural de Braga, como novo presidente do Conselho de Administração da TAP Air Portugal, sucedendo a Luís Rodrigues, que acumulava até agora as funções de presidente do Conselho e de CEO da companhia aérea.
Esta nomeação surge no âmbito da decisão do Governo de separar formalmente os cargos de gestão executiva e de supervisão estratégica, em linha com as melhores práticas de governação corporativa adotadas a nível europeu. O atual CEO, Luís Rodrigues, mantém-se em funções, tal como os restantes administradores.
Percurso ligado à inovação e empreendedorismo
Carlos Oliveira é licenciado em Engenharia de Sistemas e Informática pela Universidade do Minho e foi secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação no XIX Governo liderado por Pedro Passos Coelho. Distinguido pelo seu percurso na área do desenvolvimento económico, presidiu à InvestBraga e liderou ainda a Startup Braga, plataformas de dinamização empresarial ligadas ao município bracarense.
Reforma na estrutura de governação
A decisão de separar as funções de liderança foi justificada pelo ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, como uma forma de “reforçar a transparência e responsabilidade na gestão da TAP”, seguindo os princípios de boa governação “recomendados a nível nacional e europeu”.
Até à entrada de Luís Rodrigues na TAP, os cargos não eram acumulados. Christine Ourmières-Widener exercia as funções de CEO e Manuel Beja era presidente do Conselho de Administração. Ambos foram exonerados pelo Governo de António Costa no contexto da polémica indemnização paga a Alexandra Reis, ex-administradora da TAP e, posteriormente, secretária de Estado.
Além de Carlos Oliveira e Luís Rodrigues, o Conselho de Administração da TAP é composto por Gonçalo Pires, Mário Cruz, Sofia Lufinha, Mário Chaves, Maria João Cardoso, Ana Lehman, João Duarte e Patrício Ramos.
Reprivatização da TAP em marcha
A nomeação ocorre no mesmo dia em que o Governo aprovou o decreto-lei que permite dar início ao processo de reprivatização da TAP, um dossiê pendente desde 2023. O diploma deverá ainda ser submetido à promulgação do Presidente da República, depois de um veto ao anterior texto elaborado pelo Governo de António Costa.
A TAP, cuja nacionalização ocorreu em 2020 devido à pandemia, poderá agora regressar parcialmente às mãos de investidores privados. O executivo de Luís Montenegro já manifestou a intenção de alienar uma participação minoritária ainda em 2025, estando em negociações com grupos internacionais como a Lufthansa, Air France-KLM e IAG (dona da Iberia e British Airways).































