IGAS investiga acordos com empresa ligada ao antigo diretor de oftalmologia, num caso que envolve contratos de mais de 27 milhões de euros
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) confirmou ter aberto um processo de investigação ao Hospital de Braga, na sequência de denúncias relacionadas com a celebração de contratos superiores a 27 milhões de euros entre a unidade hospitalar e uma empresa pertencente ao antigo diretor do Serviço de Oftalmologia, Fernando Vaz.
Fernando Vaz demitiu-se do cargo em julho de 2025 — numa carta datada de 27 de junho — dois dias antes de serem tornados públicos os detalhes destes acordos, que se prolongaram ao longo de 15 anos entre o hospital e a empresa Iberoftal
A administração da Unidade Local de Saúde de Braga (ULSB) admite que a eventual situação de incompatibilidade ou conflito de interesses está sob análise interna. A parceria terá continuado até final de 2023 e, em 2024 e 2025, foram celebrados três ajustes diretos com a empresa de Vaz, num total de cerca de 9 milhões de euros, incluindo serviços de consultas, cirurgias e injeções
Adicionalmente, a IGAS investiga alegadas irregularidades no uso do sistema SIGIC (Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia), com suspeitas de que médicos tenham faturado elevados valores ao realizar cirurgias em folgas e feriados — um caso em que um profissional terá recebido 15 mil euros num único mês, e outro que teria acumulado 40 mil euros extras em dois meses . As suspeitas incluem marcação abusiva de férias para operar via SIGIC e faturações realizadas dentro do horário laboral.
O atual executivo da ULSB encontra-se em funções desde 19 de março de 2025. Em comunicado, a administração refere que contratou por ajuste direto durante o processo de concurso público de 2024, e que os procedimentos para contratar de forma regular futuramente já estão em curso, aguardando autorização das tutelas setorial e financeira
A Ordem dos Médicos já pediu explicações formais à ULSB sobre o envolvimento de um diretor de serviço em empresas que prestam serviços à mesma instituição pública.
Perante esta confluência de investigações — tanto sobre contratos de longa duração com uma empresa ligada a um responsável clínico como sobre práticas suspeitas em faturação hospitalar — criam-se fortes expectativas sobre os resultados dos inquéritos em curso e sobre eventuais consequências disciplinares e financeiras para os envolvidos.































