FEPONS alerta que 97,5% das mortes ocorreram em locais sem vigilância e pede mais prevenção

Em 2024, 121 pessoas morreram por afogamento em Portugal continental, uma descida de 21,9% face a 2023 (155 vítimas), segundo o Relatório Nacional de Afogamento 2024 do Observatório do Afogamento da Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (FEPONS). Apesar do decréscimo, a entidade sublinha que os números “continuam a exigir vigilância e ação sustentada”.

O estudo revela que a maioria das vítimas eram homens (76,9%) e que os grupos etários mais afetados foram os dos 55-59 anos (11,6%) e dos 70-74 anos (8,3%). O mar concentrou 41,3% das ocorrências, seguido dos rios (31,4%) e poços (9,9%).

A análise mostra ainda que 97,5% dos afogamentos aconteceram em locais não vigiados, com apenas três mortes registadas em praias com nadadores-salvadores, reforçando “a eficácia da vigilância qualificada”. O período da tarde concentrou 44,6% dos casos e abril foi o mês mais crítico (21,5%).

Para 2025, os dados preliminares são preocupantes: 49 mortes entre janeiro e maio, o terceiro valor mais alto desde 2017, apenas atrás de 2024 (58) e 2022 (52) no mesmo período.

A FEPONS defende mais programas de educação aquática – como SOS Afogamento, Nadador Salvador Júnior e Escola de Segurança Aquática – e reforça o apelo:

“Cada afogamento é evitável. A prevenção começa com informação, educação e vigilância.”

Atualmente, Portugal dispõe de 740 praias reconhecidas, das quais 605 têm vigilância (mais 10 que em 2024). No total, existem 673 águas balneares identificadas, nove a mais que no ano passado.