Linha do Douro vai ser modernizada por consórcio liderado pela Casais num investimento de 110 milhões

Obra prevê eletrificação até à Régua, redução de emissões e melhorias na mobilidade; investimento global na linha ascende a 460 milhões de euros.

Um consórcio formado pela construtora bracarense Casais e pela Somafel – Railway Works Experts assinou, anteontem, a consignação da empreitada de modernização e eletrificação da Linha do Douro. A obra, adjudicada pela Infraestruturas de Portugal, representa um investimento de 110 milhões de euros e terá um prazo de execução de três anos.

Para António Carlos Rodrigues, CEO da Casais, trata-se de uma intervenção com grande impacto: “É com enorme sentido de responsabilidade que assumimos esta obra, que irá modernizar uma linha histórica, melhorar a mobilidade, reforçar a segurança e contribuir para um sistema de transportes mais sustentável.”

A intervenção permitirá a tração elétrica até Peso da Régua, reduzindo os tempos de viagem em cerca de sete minutos. Estão ainda previstas melhorias no conforto e acessibilidade das estações e apeadeiros, instalação de sistemas de informação ao público, construção de acessos para passageiros com mobilidade reduzida e a modernização dos sistemas de sinalização e telecomunicações. O projeto inclui também a supressão ou automatização de passagens de nível e a construção de desnivelamentos, reforçando a segurança.

No plano ambiental, a obra vai permitir a redução anual de cerca de 16 mil toneladas de CO₂, com a introdução de material circulante elétrico no troço Caíde–Peso da Régua.

Esta intervenção integra-se num investimento global de 460 milhões de euros na Linha do Douro. Já foram concluídas as obras de eletrificação entre Caíde e Marco de Canaveses (33 milhões) e estão em desenvolvimento projetos para o troço Peso da Régua–Pocinho (180 milhões), bem como estudos para o troço final entre Pocinho e Barca d’Alva (80 milhões).

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, sublinha que a modernização da Linha do Douro é “mais do que um investimento em infraestruturas — é um compromisso com o interior, com a coesão territorial, com o ambiente e com o futuro do país”.