Ucrânia e Estados Unidos alcançam princípio de acordo para travar a guerra

Versão reduzida do plano de paz deverá ser finalizada em Washington ainda esta semana

Avanço nas negociações internacionais

A Ucrânia aceitou o plano de paz apresentado pelos Estados Unidos, segundo avançou a CBS News, citando uma fonte oficial da Casa Branca. A confirmação chegou também através do conselheiro nacional de segurança ucraniano, Rustem Umerov, que divulgou uma mensagem nas redes sociais apelando ao apoio europeu ao entendimento alcançado.

O acordo foi substancialmente encurtado face ao documento inicial de 28 pontos. As disposições que ficaram de fora serão negociadas posteriormente, num encontro direto entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky. Umerov afirmou estar otimista quanto à deslocação do presidente ucraniano a Washington até ao final de novembro para fechar o documento.

Genebra aproxima posições

O responsável ucraniano destacou as “reuniões produtivas e construtivas” mantidas em Genebra entre as delegações dos EUA e da Ucrânia, atribuindo ao atual presidente norte-americano “esforços firmes para pôr fim à guerra”. Fontes norte-americanas citadas pela CBS News garantem que apenas “detalhes menores” permanecem por acertar.

Já o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano revelou que vários pontos sensíveis foram retirados desta versão intermédia do plano, devendo ser debatidos diretamente pelos líderes de ambos os países num encontro futuro.

Moscovo ainda não se pronunciou

A posição da Rússia permanece em aberto. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, afirmou, a partir de Abu Dhabi, que Moscovo “aprecia a postura dos EUA”, mas só falará oficialmente quando houver propostas formais concluídas. Lavrov pediu igualmente que Washington informe a Rússia “dos resultados das conversações entre a Ucrânia e a Europa”.

No mesmo momento em que surgem sinais de avanço, o secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, encontra-se em Abu Dhabi para reuniões com representantes russos, onde estarão a ser discutidos os contornos da versão revista do plano originalmente trabalhado entre Trump e Putin.

Divergências com a proposta europeia

A União Europeia apresentou uma contraproposta mais favorável à Ucrânia, mas Moscovo rejeitou as alterações por considerá-las contrárias aos seus interesses. O plano original defendido pela administração Trump previa que a Ucrânia abdicasse de tentar recuperar militarmente os territórios ocupados, aceitasse ceder extensas áreas a Moscovo, reduzisse o seu exército e se comprometesse a nunca aderir à NATO.

A cessão territorial continua a ser uma das linhas vermelhas de Zelensky, razão pela qual esta questão deverá ser abordada numa fase posterior, nas negociações diretas ao mais alto nível.