O Vitória SC e o Gil Vicente empataram esta segunda-feira 0-0 no Estádio D. Afonso Henriques, naquele que foi o encontro de encerramento da 13.ª jornada da I Liga.
Apesar das expectativas elevadas — sobretudo pela boa fase de ambas as equipas — o jogo terminou sem golos, mas não sem emoção.
Primeira parte equilibrada e com poucas oportunidades claras
O encontro começou com grande intensidade, com o Vitória SC a assumir a iniciativa perante os seus adeptos. A equipa de Luís Pinto tentou impor um ritmo alto, com rápidas combinações ofensivas e forte pressão sobre a saída de bola gilista.
Contudo, o Gil Vicente, muito bem organizado defensivamente, conseguiu anular grande parte das investidas adversárias. A formação orientada por Vítor Campelos apresentou-se sólida, fiel à identidade que a tem mantido no topo da tabela, e explorou sobretudo transições rápidas para tentar surpreender.
As oportunidades de golo foram escassas nos primeiros 45 minutos. O Vitória ameaçou por duas vezes, através de remates de médio e longa distância, enquanto os gilistas tiveram talvez a melhor chance da etapa inicial num lance de contra-ataque que obrigou Bruno Varela a uma defesa atenta.
Segunda parte mais aberta, mas o golo continuou a faltar
O ritmo aumentou na segunda parte, com o Vitória SC a procurar ser mais objetivo no ataque, empurrado pelo apoio fervoroso das bancadas. O jovem avançado Oumar Camara, que tem estado em destaque nas últimas semanas, tentou criar desequilíbrios, mas encontrou sempre a defesa barcelense muito compacta.
O Gil Vicente respondeu com maior presença ofensiva, criando dois lances de relativo perigo na área vitoriana, ambos travados pela defesa local. O jogo tornou-se mais partido à medida que o relógio avançava, mas a eficácia continuou a faltar a ambas as formações.
Nos minutos finais, Luís Pinto lançou mais unidades ofensivas na tentativa de desbloquear o marcador, mas os gilistas mantiveram a serenidade e seguraram o ponto fora de casa.
Luís Pinto critica arbitragem após empate: “Vale a pena chorar no futebol português”
Luís Pinto mostrou-se frustrado com a arbitragem do empate sem golos entre Vitória SC e Gil Vicente, esta segunda-feira à noite, no Estádio D. Afonso Henriques. O treinador dos vimaranenses considerou que o jogo foi “constantemente interrompido”, prejudicando o espetáculo e condicionando o desempenho das equipas.
“Foi um jogo sempre parado”
Sem querer aprofundar em polémicas, o técnico deixou, ainda assim, críticas incisivas ao trabalho da equipa de arbitragem:
“Vale a pena chorar no futebol português. Foi um jogo sempre parado, sempre com ações para se tentar proteger o que quer que seja e depois prejudicamos todos nós o espetáculo.”
Visivelmente desgastado pelo contexto da partida, Luís Pinto lamentou o ritmo quebrado e a falta de continuidade no jogo:
“Não sei se, como adepto, vinha ver futebol. Peço desculpa, mas não me apetece falar muito sobre isso.”
O treinador preferiu, contudo, destacar o desempenho dos seus jogadores:
“O que a nossa equipa fez foi tão competente e de se relevar que não vale a pena desviar do nosso foco. Ainda não sei como não entrou aquela bola do Ndoye… é sobre isso que temos de falar.”
Análise ao jogo: competência, mas pouca agressividade com bola
Questionado sobre o que faltou ao Vitória para quebrar o nulo, Luís Pinto reconheceu que a equipa podia ter sido mais incisiva com bola:
“Houve momentos em que faltou alguma velocidade, capacidade para sermos mais agressivos e entrar na estrutura do Gil Vicente. Se tivermos oportunidades, temos de concretizar.”
O treinador destacou também oscilações na intensidade da pressão ofensiva:
“Tivemos momentos muito bons na pressão, noutros baixámos, parecia que estávamos a recarregar. Isso nota-se no ritmo.”
Apesar disso, mostrou satisfação com o desempenho global:
“A equipa foi muito competente, muito competitiva. Temos de estar felizes por isso.”
Resiliência como ponto positivo
Luís Pinto sublinhou que a equipa soube lidar com as dificuldades criadas pelo adversário e pelo próprio contexto emocional do jogo:
“Temos de pegar neste jogo percebendo a resiliência que a equipa teve perante as adversidades, que esperávamos perante o Gil Vicente. A equipa pode usar este momento para crescer.”
Confusão no final do jogo
O duelo terminou com desacatos na zona do túnel, envolvendo elementos de ambas as equipas e agentes da Liga. Sobre esse momento, o técnico confessou desconhecer os contornos:
“No final houve confusão, mas não percebi o que se passou.”
César Peixoto admite jogo “quezilento” e elogia maturidade do Gil Vicente no empate em Guimarães
César Peixoto considerou que o empate sem golos frente ao Vitória SC, este domingo, no Estádio D. Afonso Henriques, foi o resultado mais justo num duelo extremamente disputado e marcado por momentos de tensão dentro e fora das quatro linhas. Na sala de imprensa, o treinador do Gil Vicente destacou sobretudo a capacidade emocional da sua equipa para lidar com um jogo que classificou como “quezilento”.
“Taticamente ninguém conseguiu desmontar o adversário”
O técnico começou por sublinhar o equilíbrio e a dureza do encontro:
“Jogo difícil, muito disputado, um pouco quezilento. Taticamente ninguém conseguiu desmanchar as organizações defensivas.”
Peixoto reconheceu que ambas as equipas se apresentaram bem estruturadas, o que acabou por limitar a criação de oportunidades claras. Realçou ainda que a necessidade de pontuar estava presente dos dois lados:
“O Vitória vinha num bom momento, nós vínhamos de uma derrota, era importante não perder, manter a distância e sobretudo não ter duas derrotas seguidas.”
Apesar disso, o treinador garantiu que o Gil Vicente entrou em campo para tentar vencer:
“Viemos para conseguir os três pontos, mas a certo momento a equipa percebeu que seria difícil. Acabámos por conseguir um ponto, a equipa uniu-se e demonstrou grande capacidade para gerir as emoções.”
Lance polémico nos descontos? “Não vi”
Questionado sobre o possível penálti reclamado pelo Vitória SC nos instantes finais, César Peixoto foi conciso:
“Não vi. Se tivesse visto dar-lhe-ia a minha opinião.”
Confusão no túnel: “Temos de saber ganhar, empatar e perder”
O jogo terminou com desacatos no túnel de acesso aos balneários, mas o treinador gilista disse ter chegado apenas no final da situação:
“Houve confusão, mas estava lá em baixo a falar com o Santi [Garcia]. Quando cheguei já estava a confusão instalada.”
Peixoto pediu mais contenção e cultura desportiva:
“As pessoas da Liga estavam lá e têm de reportar. Temos de ser adultos, saber perder, empatar e ganhar. Lá dentro é guerra, mas depois temos de ter a cabeça fria para que não ocorram estas situações.”
Arbitragem com “dualidade de critérios”, mas sem influência no resultado
Embora tenha evitado polémicas, César Peixoto admitiu que nem tudo lhe agradou no trabalho da equipa de arbitragem:
“Vendo e analisando friamente, há coisas que não gostei, há coisas que o banco do Vitória não gostou. Aqui e ali acho que houve dualidade de critérios.”
Ainda assim, recusou atribuir o empate às decisões do árbitro e reforçou que o resultado foi adequado ao que se passou em campo:
“Não foi por isso. Acho que o empate assenta bem num jogo muito intenso e emocional, mais tático do que bem jogado.”
Elogios à maturidade da equipa
O treinador terminou valorizando a postura dos seus jogadores:
“Feliz pela forma como a minha equipa se comportou. Teve tranquilidade, não se deixou ir pelo ambiente num jogo muito quente. Conseguimos acabar com onze, de pé, e segurámos um ponto.”





























