USB prevê “adesão histórica” à greve geral de 11 de dezembro no distrito de Braga

A União dos Sindicatos de Braga (USB) antecipa uma “adesão histórica” à greve geral marcada para esta quinta-feira, 11 de dezembro. A previsão foi avançada por Joaquim Daniel, coordenador da estrutura sindical, durante uma conferência de imprensa realizada esta terça-feira na sede da USB.

Segundo o dirigente, cerca de oito mil trabalhadores do distrito de Braga subscreveram já o abaixo-assinado que rejeita a proposta de reforma laboral apresentada pelo Governo da Aliança Democrática, documento que designa o pacote legislativo como “Trabalho XXI”.

Joaquim Daniel descreve o projeto governamental como uma “violenta ofensiva aos direitos laborais”, alertando que o impacto está a mobilizar trabalhadores dos setores público e privado, abrangendo áreas tão diversas como educação, metalurgia, transportes e serviços sociais.

Setores inteiros garantem adesão à paralisação

O dirigente sindical afirmou que há garantia de adesão de todas as creches e de diversos infantários do distrito, bem como de todos os CACI da APPACDM, assegurando que os trabalhadores destas instituições confirmaram a paralisação.

No setor dos transportes, a situação não é diferente: os Transportes Urbanos de Braga (TUB) estão em articulação com o STAL e “tudo indica”, segundo Joaquim Daniel, que a “esmagadora maioria” dos trabalhadores irá aderir.

Já no setor eletromecânico, o dirigente do SITE-NORTE, Filipe Machado, reforçou que se espera uma forte participação dos trabalhadores da Bosch, Aptiv e Fehst, acrescentando que também a Continental Mabor deverá ser significativamente afetada. Para o sindicalista, esses dados contrariam a perceção de que a greve seria dominada pela função pública: “Haverá grande adesão da indústria e do privado”, assegurou.

Reforma laboral contestada lembra 2003, dizem sindicalistas

A proposta de reforma laboral “Trabalho XXI” introduz alterações profundas em mais de uma centena de artigos do Código do Trabalho. Entre as mudanças previstas destacam-se:

  • alterações no regime de parentalidade,
  • mudanças nos procedimentos de despedimento,
  • alargamento dos prazos dos contratos temporários,
  • e a expansão dos setores sujeitos a serviços mínimos em caso de greve.

Para Joaquim Daniel, a ofensiva legislativa faz recordar o pacote laboral aprovado em 2003, “quando o contrato coletivo de trabalho foi atacado violentamente”. Agora, acrescenta, o novo pacote visa “levar mais longe esse mesmo ataque”.

O coordenador da USB sublinha ainda que o apoio à greve é “unânime e transversal a toda a sociedade”, afirmando que a paralisação de quinta-feira será decisiva para “derrotar este pacote laboral”.

Concentração no centro de Braga para dar visibilidade à luta

Para assinalar o dia de greve, a USB convocou uma concentração às 10h00 junto ao Arco da Porta Nova, no centro histórico de Braga. A iniciativa, explica Joaquim Daniel, pretende dar visibilidade à ação dos trabalhadores, sendo apresentada não como manifestação reivindicativa, mas como um momento de afirmação pública da greve.

A questão essencial é a adesão dos trabalhadores. Esta concentração é apenas mais uma forma de amplificar a greve geral e reforçar a expressão da luta”, concluiu o dirigente sindical.