Washington invoca violação de sanções e bloqueio marítimo; Moscovo acusa operação de ilegal
Os Estados Unidos apreenderam esta quarta-feira o petroleiro russo M/V Bella 1, uma embarcação que havia deixado a Venezuela e que é acusada de violar as sanções norte-americanas impostas ao regime de Caracas. A informação foi divulgada pelo Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA (EUCOM), através de um comunicado publicado na rede social X.
Operação coordenada por várias agências norte-americanas
Segundo o EUCOM, a apreensão foi realizada pelo Departamento de Justiça e pelo Departamento de Segurança Interna, em coordenação com o Departamento da Defesa, ao abrigo de um mandado emitido por um tribunal federal norte-americano.
A operação decorreu no Atlântico Norte, depois de o navio ter sido monitorizado e seguido pelo USCGC Munro, um navio de segurança nacional da Guarda Costeira dos Estados Unidos, considerado um dos mais avançados da frota e utilizado em missões de fiscalização marítima, segurança e busca e salvamento.
Violações das sanções e do bloqueio à Venezuela
De acordo com as autoridades norte-americanas, o M/V Bella 1 foi apreendido por violar as sanções impostas pelos EUA e o bloqueio marítimo ao petróleo venezuelano, enquadrado numa proclamação presidencial que visa embarcações consideradas uma ameaça à segurança e à estabilidade do Hemisfério Ocidental.
O petroleiro não conseguiu atracar na Venezuela e foi posteriormente perseguido pela Guarda Costeira dos EUA. Esta situação levou a Federação Russa a enviar um submarino e outros meios navais para escoltar a embarcação durante a sua deslocação.
Mudança de rota e tensão internacional
Nas horas que antecederam a apreensão, o navio alterou o seu rumo e foi detetado pela última vez a norte das ilhas Shetland, arquipélago situado no norte da Escócia. Durante a tarde, meios de comunicação estatais russos divulgaram imagens de um helicóptero a aproximar-se do petroleiro, reforçando o clima de tensão em torno do caso.
Moscovo acusa Washington de violar o direito internacional
A Rússia reagiu oficialmente através do Ministério dos Transportes, acusando os Estados Unidos de violarem a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982. Em comunicado divulgado na rede social Telegram, Moscovo sublinha que “a liberdade de navegação se aplica em alto-mar” e classifica a atuação norte-americana como ilegal.
Envolvimento britânico por confirmar
A agência Reuters avança que a Força Aérea Britânica poderá ter estado envolvida na operação, através da utilização de bases aéreas norte-americanas, citando a imprensa local. Contudo, até ao momento, o ministro da Defesa do Reino Unido não confirmou oficialmente essa participação.
Segunda embarcação apreendida nas Caraíbas
Paralelamente, o Comando do Sul das Forças Armadas dos EUA anunciou a apreensão de uma segunda embarcação, a M/T Sophia, no Mar das Caraíbas, no âmbito da Operação Lança do Sul, em curso desde setembro de 2025 para combater o narcotráfico e atividades ilícitas na região.
Segundo as autoridades norte-americanas, o navio, que não ostentava bandeira, operava em águas internacionais e também violava o bloqueio naval imposto à Venezuela. A embarcação será agora escoltada até território norte-americano para os devidos procedimentos legais.
Bloqueio mantém-se em vigor
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, reagiu ao caso garantindo que o bloqueio ao petróleo venezuelano “permanece em vigor” e é aplicado “em todo o mundo”, sinalizando que Washington continuará a atuar contra embarcações que considere violarem as sanções impostas.



































