IPMA: fenómeno da depressão Kristin é “raro” e alerta para agravamento nas próximas horas

A rajada de vento com maior intensidade associada à depressão Kristin registada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera foi de 149 quilómetros por hora no Cabo Carvoeiro, Peniche, às 4h00

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) classificou como uma “situação rara” o fenómeno que se registou nas primeiras horas desta quarta-feira, durante a passagem da depressão Kristin pelo território continental. Segundo os especialistas, apenas fenómenos semelhantes ocorreram em 2009 e em 2018, com a depressão Leslie.

Nuno Lopes, do IPMA, explicou em conferência de imprensa, ao lado da Proteção Civil, que este tipo de tempestade é por vezes descrito como uma “pequena bomba meteorológica”, podendo incluir núcleos secundários de intensidade elevada, conhecidos como “sting jet”. “É um fenómeno raro, infelizmente caiu numa zona já afetada pelo Leslie”, sublinhou.

A rajada de vento mais intensa registada pelo IPMA ocorreu no Cabo Carvoeiro, em Peniche, às 4h00, atingindo os 149 km/h. Outras estações, de diferentes entidades, poderão ter registado valores distintos.

Apesar de o fenómeno ter passado muito rapidamente, o IPMA alerta para um agravamento do estado do tempo no final do dia e durante a madrugada, com avisos amarelos para precipitação nas regiões Norte e Centro. A costa continua com aviso vermelho de agitação marítima, e a Proteção Civil mantém o nível máximo de prontidão (nível 4) em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal.

O especialista sublinha que, embora não se espere um fenómeno tão intenso como na madrugada, a saturação dos solos aumenta o risco: “Este aviso amarelo tem um potencial de impacto muito superior ao que teria noutras condições e noutros invernos.”

A passagem da depressão Kristin provocou, até ao momento, cinco mortos, vários desalojados e mais de 2.600 ocorrências registadas pela Proteção Civil, principalmente quedas de árvores e estruturas nos distritos de Leiria, Coimbra, Santarém e Lisboa.

Vento, chuva, neve e agitação marítima levaram ao corte ou condicionamento de estradas e serviços de transporte, incluindo linhas ferroviárias, ao fecho de escolas e a cortes de energia, água e comunicações.

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