Investigadora da UMinho recebe 250 mil euros para estudar impacto do sono no cérebro

A cientista Sara Calafate, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Escola de Medicina da Universidade do Minho (UMinho), recebeu um financiamento de 250 mil euros para investigar de que forma o sono contribui para o equilíbrio interno do cérebro e para a organização da memória.

A bolsa foi atribuída pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no âmbito do concurso “ERC-PT-A Projects”, destinado a apoiar projetos que obtiveram classificação máxima para uma Starting Grant do Conselho Europeu de Investigação (ERC), mas que não receberam financiamento integral devido a limitações orçamentais.

O projeto de Sara Calafate vai explorar a forma como diferentes tipos de células de suporte do cérebro, conhecidas como glia, interagem com as conexões entre os neurónios — as sinapses — no hipocampo, uma região essencial para a formação e consolidação da memória. Durante o sono, estas interações sofrem ajustes fundamentais para a transformação das experiências em memórias duradouras.

Tendo em conta que o sono é frequentemente perturbado em doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer, a investigadora considera que estes mecanismos podem ser afetados, razão pela qual pretende aprofundar esta nova linha de investigação.

O trabalho centra-se na compreensão de como os neurónios formam circuitos precisos e estáveis e de que forma o cérebro mantém o equilíbrio necessário para que esses circuitos funcionem corretamente na formação da memória. Em estudos anteriores, Sara Calafate investigou o papel de um péptido — uma pequena molécula mensageira envolvida na regulação do sono e na comunicação neuronal — tendo identificado alterações precoces deste sistema associadas à doença de Alzheimer.

Natural da Póvoa de Varzim, Sara Calafate, de 36 anos, é licenciada em Biologia Aplicada pela UMinho, mestre em Biologia Molecular e Celular pela Universidade de Coimbra e realizou o doutoramento e pós-doutoramento na Universidade Católica da Lovaina (Bélgica), em parceria com a Janssen Pharmaceutica.

Regressou a Portugal em 2023 com uma bolsa Marie Curie para um pós-doutoramento no ICVS, em Braga, onde é atualmente investigadora auxiliar. Ao longo da carreira, tem sido distinguida com vários prémios, entre os quais o Prémio Maria de Sousa, atribuído pela Fundação Bial e pela Ordem dos Médicos, e tem garantido financiamentos internacionais altamente competitivos, incluindo da Organização Europeia de Biologia Molecular.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here