Proprietários do Le Constellation escreveram aos funcionários e falam em “silêncio pesado e doloroso” após tragédia que matou 41 pessoas
Os proprietários do bar Le Constellation, situado na estância de esqui de Crans-Montana, na Suíça, onde morreram 41 pessoas na sequência de um incêndio na noite de Ano Novo, quebraram o silêncio através de uma carta enviada aos funcionários do estabelecimento.
O documento, com duas páginas A4, foi assinado por Jessica e Jacques Moretti e dirigido “a toda a equipa” do bar, tendo sido divulgado esta semana pela rádio francesa Franceinfo. Na carta, o casal explica que decidiu agora pronunciar-se devido às limitações impostas pela investigação judicial em curso.
“Um silêncio infinitamente pesado”
“Fomos obrigados, devido à investigação, a conter as palavras de profunda empatia que gostaríamos de vos ter dirigido imediatamente após esta tragédia”, escrevem, acrescentando que esse silêncio foi “infinitamente pesado e doloroso”.
Os proprietários expressam ainda pesar pela morte de três funcionários do bar e afirmam partilhar a dor pelas restantes vítimas: “Também choramos aqueles que já não estão entre nós, com uma imensa tristeza”.
Rejeição de acusações e rumores
Na carta, os donos do Le Constellation rejeitam acusações que circularam após o incêndio, nomeadamente alegações de que teriam fugido do local com dinheiro da caixa registadora.
“Uma das mentiras mais ignóbeis foi a alegada fuga imediata do local com a caixa registadora debaixo do braço, quando nós permanecíamos ali, a enfrentar o caos e a tentar prestar auxílio, em cenas de verdadeiro horror”, escrevem.
Esta acusação havia sido avançada pelo jornal italiano La Repubblica, segundo o qual Jessica Moretti teria sido vista a sair apressadamente do estabelecimento com o dinheiro arrecadado naquela noite.
Apesar de se declararem “profundamente magoados com as inúmeras calúnias espalhadas”, os proprietários garantem que continuarão a colaborar com as autoridades e esperam que “a investigação revele toda a verdade”.
Proprietários sob investigação criminal
As autoridades suíças investigam as circunstâncias do incêndio, que ocorreu numa cave frequentada sobretudo por adolescentes e jovens adultos. Investigações preliminares apontam que o fogo poderá ter sido provocado por faíscas de velas que incendiaram espuma de isolamento acústico no teto.
O inquérito deverá também apurar o cumprimento das normas de segurança, depois de o município de Crans-Montana ter admitido que não realizava inspeções de segurança e incêndio no estabelecimento desde 2019.
Jacques Moretti esteve em prisão preventiva entre 9 e 23 de janeiro, tendo sido libertado mediante o pagamento de uma caução de 200 mil francos suíços (cerca de 215 mil euros). Tal como a esposa, ficou sujeito a medidas de coação, incluindo proibição de saída do país, entrega de documentos de identificação e apresentação diária às autoridades.
O casal é investigado por suspeitas de homicídio culposo, ofensas corporais culposas e incêndio negligente.
Tragédia com 41 mortos e mais de 100 feridos
O número de vítimas mortais subiu para 41 após a morte de um jovem suíço de 18 anos, internado num hospital de Zurique, no passado dia 31 de janeiro.
Além das vítimas mortais, o incêndio causou 115 feridos, muitos dos quais adolescentes. Segundo as autoridades suíças, dezenas de vítimas continuam a receber tratamento médico, tanto em hospitais da Suíça como no estrangeiro, nomeadamente em França, Itália, Alemanha e Bélgica.



































