O SC Braga venceu este domingo o Rio Ave por 3-0, na 21.ª jornada da I Liga, num encontro de sentido único no Estádio Municipal de Braga, em que os arsenalistas poderiam ter construído um resultado ainda mais expressivo perante um adversário sem capacidade de resposta.
Os golos foram apontados por Grillitsch, logo aos quatro minutos, e por Ricardo Horta, que bisou aos 73 e 90+3, garantindo a quarta vitória consecutiva dos minhotos no campeonato e a manutenção do quarto lugar, que havia sido provisoriamente ocupado pelo Gil Vicente.
Do lado vilacondense, a crise acentuou-se. Desde a saída dos seus principais marcadores, André Luiz e Clayton, para o Olympiacos, o Rio Ave soma quatro derrotas consecutivas, sem qualquer golo marcado, terminando o encontro sem criar uma única oportunidade clara.
Entrada forte e vantagem madrugadora
Forçado pela lesão de Gorby, o técnico Carlos Vicens promoveu Grillitsch à titularidade, a única alteração face ao onze anterior. No Rio Ave, destaque para a estreia do guarda-redes Van der Gouw e do avançado Tamble Monteiro, num total de sete alterações promovidas pelo treinador.
A aposta deu frutos de imediato. Aos quatro minutos, Pau Victor descobriu Grillitsch, que rematou de primeira para o seu primeiro golo com a camisola do SC Braga.
A reação do Rio Ave surgiu aos 12 minutos, com Bezerra a obrigar Hornicek a defesa segura, mas foi sol de pouca dura.
Domínio bracarense e desperdício
Aos 17 minutos, Ricardo Horta protagonizou um falhanço incrível, acertando no poste de baliza deserta após um remate de Arrey-Mbi – a música de golo chegou mesmo a ecoar na ‘Pedreira’.
Apesar do domínio claro, o ritmo baixou até ao intervalo, com apenas dois lances de perigo: um remate de Zalazar (34’) e um livre direto de Ricardo Horta, defendido com dificuldade pelo guardião neerlandês (45+1).
Horta sentencia na segunda parte
O SC Braga regressou do intervalo com intensidade máxima e criou duas oportunidades logo no primeiro minuto, por Gabri Martínez e Grillitsch.
Aos 58 minutos, o trio Zalazar–Ricardo Horta–Pau Victor, elogiado por Vicens pela sua “química especial”, desenhou uma jogada de alto nível, travada apenas por um corte decisivo de Brabec.
O segundo golo acabaria por surgir aos 73 minutos, quando Ricardo Horta aproveitou um erro defensivo do Rio Ave, após assistência de Grillitsch. Já em período de compensação, o capitão bracarense fechou o marcador com um toque de classe, servido por João Moutinho, fixando um resultado mais condizente com a diferença exibicional entre as equipas.
O apito final foi acompanhado por críticas e lenços brancos dirigidos ao treinador vilacondense Sotiris Sylaidopoulos, num reflexo claro do momento difícil vivido pelo Rio Ave.
Carlos Vicens, treinador do SC Braga, em declarações na sala de imprensa do Estádio Municipal de Braga, após o triunfo (3-0) frente ao Rio Ave
Treinador destaca maturidade da equipa após vitória por 3-0 frente ao Rio Ave e aponta foco imediato ao próximo desafio em Barcelos. Carlos Vicens elogia mentalidade do SC Braga: “O processo coletivo está a dar frutos”
O treinador do SC Braga, Carlos Vicens, mostrou-se satisfeito com a exibição e, sobretudo, com a atitude demonstrada pela equipa após a vitória por 3-0 frente ao Rio Ave, este domingo, no Estádio Municipal de Braga. Na sala de imprensa, o técnico espanhol sublinhou a consistência do trabalho desenvolvido ao longo da época e a maturidade competitiva dos seus jogadores.
Análise ao jogo
Vicens considerou que a partida seguiu a linha das últimas exibições da equipa, marcadas pela ambição e controlo desde o apito inicial.
“Foi uma partida de alto nível, que procurámos vencer desde o início. A equipa entrou muito consciente, forte mentalmente, em casa e com os nossos adeptos. Estivemos agressivos, unidos e sempre à procura do segundo golo. A margem maior chegou no final, mas o comportamento foi muito positivo. Estou contente com a mentalidade e com o esforço.”
Momento positivo, mas sem relaxar
O treinador reconheceu que o maior tempo de trabalho durante a semana teve impacto no rendimento da equipa, mas deixou claro que o foco já está no próximo compromisso.
“Tivemos mais dias para treinar e para respirar um pouco, o que nos permitiu trabalhar mais alguns aspetos. A equipa chegou bem ao jogo, mas o futebol não tem memória. Amanhã de manhã já estaremos a preparar o jogo em Barcelos, frente a um rival diferente e num campo difícil.”
Pau Víctor e o crescimento do coletivo
Questionado sobre o maior entrosamento de Pau Víctor, Vicens enquadrou o momento do jogador no processo global da equipa, lembrando o contexto exigente da temporada.
“Chegámos a fevereiro com 41 jogos disputados, um técnico novo e jogadores a integrar-se de forma faseada. O processo é mais lento, mas envolve todos. Não podíamos jogar sempre com os mesmos. Agora os jogadores estão mais familiarizados e o coletivo está a beneficiar do trabalho desenvolvido ao longo destes meses.”
Grillitsch e Moutinho mais ofensivos
O técnico destacou ainda a importância da presença de médios como Grillitsch e João Moutinho em zonas mais adiantadas do terreno.
“Quando jogamos muito tempo no meio-campo adversário, é essencial ter jogadores capazes de aparecer no último terço. O dinamismo ofensivo depende disso. Todos contribuem, de uma forma ou de outra, para criarmos mais situações de golo.”
Solidez defensiva no destaque
Sobre a série de seis jogos consecutivos sem sofrer golos, Carlos Vicens relativizou os números, mas elogiou a coesão defensiva da equipa.
“Foram jogos muito diferentes, em competições e contextos distintos. Na Liga, para alguns adversários o empate é bom; na Liga Europa não servia. Isso muda tudo. O que vemos é uma equipa a defender de forma muito unida e sólida. Vamos continuar a trabalhar para manter esse nível.”
Sotiris Silaidopoulos, treinador do Rio Ave, em declarações na sala de imprensa do Estádio Municipal de Braga, após a derrota (3-0) frente ao SC Braga
Treinador reconhece momento delicado após derrota por 3-0 frente ao SC Braga e sublinha necessidade de adaptação rápida.Sotiris Sylaidopoulos admite dificuldades do Rio Ave: “Não é fácil criar uma nova dinâmica”
O treinador do Rio Ave, Sotiris Sylaidopoulos, reconheceu as dificuldades da sua equipa após a derrota por 3-0 frente ao SC Braga, no Estádio Municipal de Braga, sublinhando os desafios associados às recentes alterações no plantel e à implementação de uma nova dinâmica de jogo.
Análise ao jogo
O técnico grego destacou a entrada forte do SC Braga e a pressão alta exercida pelos bracarenses, fatores que condicionaram desde cedo a prestação da equipa vilacondense.
“O Braga entrou a pressionar muito bem, com vários jogadores na frente. Sabíamos que seria um jogo difícil, tal como perspetivávamos. Quando perdes alguns jogadores e outros chegam há poucos dias, não é fácil. É preciso trabalhar rápido para que se possam ligar à equipa. Estamos a trabalhar para regressar aos bons resultados.”
O que está a faltar à equipa?
Sylaidopoulos explicou que as constantes mudanças no ‘onze’ inicial refletem um processo ainda em construção, agravado pela saída de jogadores-chave.
“Desde o início temos vários jogadores diferentes. Hoje apresentámos sete jogadores novos no onze. Perdemos jogadores importantes e não é fácil criar uma nova ligação e uma nova dinâmica. Temos de encontrar uma forma diferente de jogar.”
Quatro jogos consecutivos sem marcar
Questionado sobre a falta de eficácia ofensiva, o treinador admitiu que a equipa atravessa um período complicado, embora veja sinais encorajadores noutros encontros.
“Neste jogo não criámos oportunidades de golo, mas no anterior tivemos alguns lances. Como já referi, não é fácil trocar jogadores constantemente. Estamos a tentar uma nova forma de jogar, mas o processo não é simples. Temos de encontrar rapidamente soluções para criar oportunidades de golo.”
Ficha de Jogo
Jogo no Estádio Municipal de Braga.
SC Braga – Rio Ave, 3-0.
Ao intervalo: 1-0.
Marcadores
1-0, Grillitsch, 04 minutos.
2-0, Ricardo Horta, 73.
3-0, Ricardo Horta, 90+3
Equipas
– SC Braga: Hornicek, Barisic, Lagerbielke, Arrey-Mbi, Victor Gómez (Yanis da Rocha, 89), Grillitsch (Tikaz, 82), João Moutinho, Gabri Martínez (Diego, 75), Zalazar (Lelo, 82), Ricardo Horta e Pau Victor (Fran Navarro, 74).
(Suplentes: Tiago Sá, Lelo, Yanis da Rocha, Paulo Oliveira, Diego, Moscardo, Tiknaz, Dorgeles e Fran Navarro).
Treinador: Carlos Vicens.
– Rio Ave: Van Der Gouw, Brabec, Gustavo Mancha, Nelson Abbey, Vrousai, Nikitischer, Liavas (Buta, 84), Omar Richards (Ntoi, 84), Papakanellos (Olinho, 62), Bezerra (Spikic, 70) e Tamble Monteiro (Blesa, 70).
(Suplentes: Kevin Chamorro, Ntoi, Ryan Guilherme, Blesa, Spikic, João Tomé, Buta, Lomboto e Olinho).
Treinador: Sotiris Sylaidopoulos.
Árbitro: Miguel Nogueira (AF Lisboa).
Ação disciplinar: cartão amarelo para Gustavo Mancha (45) e Lelo (87).
Assistência: 10.528 espetadores.































