O SC Braga venceu este sábado o Vitória SC por 3-2, na 23.ª jornada da I Liga, num dérbi intenso e emotivo, e regressou provisoriamente ao quarto lugar da classificação, com 42 pontos.
Zalazar decisivo
O grande protagonista foi Rodrigo Zalazar, autor de dois golos — aos 17 minutos, de grande penalidade, e aos 57 — e ainda de uma assistência para o tento de Ricardo Horta, aos 32 minutos. O internacional português retribuiu o gesto no lance do terceiro golo bracarense.
Do lado vimaranense, o empate surgiu primeiro através de um autogolo de Barisic (19 minutos) e depois por Gustavo Silva, aos 54, mas o Vitória não conseguiu reagir à terceira vantagem arsenalista.
jogo intenso e com interrupção
A partida, disputada no Estádio Municipal de Braga, começou com um atraso de quase 10 minutos e foi interrompida por mais de quatro minutos na primeira parte, após arremesso de engenhos pirotécnicos a partir do setor afeto às claques do SC Braga.
Apesar disso, o ritmo manteve-se elevado. O primeiro golo surgiu de penálti, após falta de Gustavo Silva sobre Diego. Zalazar converteu, “vingando” assim a grande penalidade defendida por Charles na final da Taça da Liga.
A resposta do Vitória foi imediata, com um cruzamento de Noah Saviolo a resultar num desvio infeliz de Barisic para a própria baliza.
Reviravoltas e emoção até ao fim
O segundo golo bracarense nasceu de uma jogada trabalhada na direita, com assistência de calcanhar de Zalazar e finalização potente de Ricardo Horta, que somou o 12.º golo no campeonato.
Já na segunda parte, o Vitória empatou por Gustavo Silva, após combinação entre João Mendes e Saviolo. No entanto, três minutos depois, Horta e Zalazar voltaram a combinar para o 3-2 final.
Nos minutos finais, ainda houve oportunidades para ambos os lados, com Hornicek a destacar-se ao defender remates de Oumar Camara e Telmo Arcanjo já nos descontos.
Com este triunfo, o SC Braga soma 42 pontos e sobe ao quarto lugar, enquanto o Vitória SC, que somou o terceiro desaire consecutivo fora de portas, mantém-se no oitavo posto, com 31 pontos.
Carlos Vicens, treinador do Sp. Braga, na sala de imprensa, apos Vitória SC no Derby diante do Vitoria SC por 3-2
Carlos Vicens: “Estas situações podem retirar adeptos dos estádios”
O treinador do SC Braga, Carlos Vicens, mostrou-se satisfeito com a vitória por 3-2 frente ao Vitória SC, na 23.ª jornada da I Liga, mas lamentou a polémica em torno da proibição de uma tarja preparada pelos adeptos.
Em conferência de imprensa, no Estádio Municipal de Braga, o técnico analisou um jogo que considerou menos controlado do que outros disputados em casa.
“Foi um jogo menos controlado do que outros em casa. Sabíamos o que queríamos fazer. Tivemos dificuldade em encontrar jogadores para circular a bola, mas, de cada vez que o conseguimos, criámos muito perigo.”
Vicens admitiu que a equipa poderia ter ido para o intervalo com um resultado mais confortável e reconheceu mérito ao adversário no golo do empate a dois, após uma perda de posicionamento na pressão. Ainda assim, valorizou a reação e o terceiro golo que garantiu os três pontos.
“Há muitas coisas a melhorar, mas estou muito agradado com a energia da equipa e com os três pontos.”
O treinador referiu também que a superioridade numérica do Vitória no meio-campo surgiu sobretudo quando os vimaranenses tinham posse de bola, situação corrigida ao intervalo. Sublinhou que, sempre que o Braga encontrou os médios e alas, criou ocasiões claras, embora tenha faltado maior presença constante na área adversária.
Críticas à proibição da tarja
Sobre a decisão da Polícia de Segurança Pública de impedir a exibição de uma tela preparada pelos adeptos, Carlos Vicens deixou um alerta:
“Havia uma vontade tremenda dos nossos adeptos em apoiarem. Trabalharam imenso na tela para darem um apoio especial à equipa num jogo especial como o dérbi. Estas situações podem retirar adeptos dos estádios. Um dérbi é uma festa do futebol.”
Para o técnico, o futebol é um espetáculo que vive da presença e da emoção dos adeptos, considerando que episódios como este podem afetar o ambiente e a ligação entre clube e bancada.
Vicens comparou ainda o desempenho com os anteriores jogos frente ao Vitória, defendendo que, apesar de menor controlo do que na final da Taça da Liga, o triunfo deste sábado foi justo.
Luís Pinto: “Os adeptos que mais se ouviram foram os nossos”
O treinador do Vitória SC, Luís Pinto, lamentou a derrota frente ao SC Braga (3-2), na 23.ª jornada da I Liga, mas destacou a exibição da sua equipa no dérbi minhoto disputado no Estádio Municipal de Braga.
“Sentíamos que estávamos por cima do jogo”
Na conferência de imprensa, o técnico vitoriano considerou que a sua equipa conseguiu, em vários momentos, controlar o adversário:
“Quase sempre conseguimos acertar timings de pressão. Ganhámos bolas nas zonas em que o Braga estava a tentar desequilibrar. Mas sofremos dessa forma no segundo e no terceiro golos.”
Luís Pinto apontou falhas específicas nos momentos dos golos decisivos:
- No segundo golo, admitiu que a equipa iniciou a pressão “sem necessidade”.
- No terceiro, referiu excesso de rotação na pressão, permitindo que “os três homens da frente” do Braga fizessem a diferença.
“Sentíamos que estávamos por cima do jogo, mas esse terceiro golo foi um golpe duro.”
O treinador considerou ainda que, após o 2-2, a equipa não estava preparada para sofrer de imediato, e acusou o adversário de gerir o ritmo:
“A equipa do Braga capitalizou os tempos mortos do jogo. Tornou-se mais difícil manter o ritmo alto. Houve mérito do Braga a congelar o jogo numa fase essencial para eles.”
“Não tinha visto este estádio tão bem preenchido”
Apesar da derrota, Luís Pinto deixou elogios aos adeptos vimaranenses:
“Nos jogos que tinha analisado, não tinha visto este estádio tão bem preenchido, mas os adeptos que mais se ouviram foram os nossos. Creio que nos galvanizaram.”
O técnico salientou ainda que o registo ofensivo fora de casa — seis golos nos últimos três jogos — é positivo, embora sem pontos conquistados, e sublinhou a competitividade da equipa frente a adversários do topo.
“Ouvimos no início da época que o Vitória estava extremamente enfraquecido, mas hoje conseguimos competir contra uma equipa muito boa. Quero ver evolução nos 11 jogos que faltam. Apesar de estarmos longe dos lugares europeus, ainda podemos conseguir o que pretendemos.”
Com esta derrota, o Vitória soma o terceiro desaire consecutivo fora de portas, mantendo-se no oitavo lugar da classificação.































