Passaram 25 anos desde a noite de 4 de março de 2001, quando a Ponte Hintze Ribeiro colapsou subitamente, em Entre-os-Rios, arrastando um autocarro e três viaturas ligeiras para o Rio Douro. A tragédia provocou 59 vítimas mortais — mas apenas 23 corpos foram recuperados.
O que aconteceu naquela noite?
Eram cerca das 21h10 quando o quarto pilar da ponte cedeu, levando ao colapso da parte central do tabuleiro. A estrutura fazia a ligação entre Entre-os-Rios e Castelo de Paiva.
Segundo relatos da época, a ponte apresentava sinais de desgaste há vários anos e já tinha sido alvo de perícias que alertavam para riscos estruturais.
O impacto político foi imediato. O então ministro do Equipamento, Jorge Coelho, demitiu-se horas depois, afirmando: “A culpa não pode morrer solteira”.
O inquérito governamental concluiu que o colapso resultou de uma “conjugação de fatores”. Em 2006, o tribunal absolveu os engenheiros da ex-Junta Autónoma das Estradas e da empresa projetista, por falta de provas.
O Estado pagou indemnizações de 50 mil euros a cada família, acrescidas de valores entre 10 e 20 mil euros por herdeiro, consoante o grau de parentesco.
36 corpos nunca foram encontrados
Das 59 vítimas mortais, 36 nunca foram recuperadas, apesar de meses de buscas. Entre as vítimas estavam residentes de Castelo de Paiva, Cinfães, Gondomar e Penafiel.
O autocarro transportava um grupo que regressava de uma excursão a Trás-os-Montes, onde tinha ido ver as amendoeiras em flor.
Segundo Augusto Moreira, presidente da Associação dos Familiares das Vítimas, mais de duas décadas depois ainda há familiares a necessitar de apoio psicológico e psiquiátrico.
“Há muitos casos de pessoas que não são capazes de mexer num quarto de um familiar”, referiu.
O “Anjo de Portugal” e a memória viva
Em Entre-os-Rios, junto à ponte reconstruída, ergue-se o monumento “Anjo de Portugal”, da autoria do arquiteto Henrique Coelho. Na base estão inscritos os nomes das 59 vítimas.
Duas famílias continuam a rezar mensalmente o terço junto ao memorial. Para muitos, é a única forma de manter viva a memória de quem nunca regressou.
Um quarto de século depois, a tragédia de Entre-os-Rios permanece como uma das maiores feridas da história recente de Portugal — marcada não só pelas vidas perdidas, mas também pelas que ficaram para sempre em suspenso.




































