Uma funcionária administrativa dos Bombeiros Sapadores de Braga acusa o comandante Nuno Osório e o adjunto Carlos Silva de assédio moral, humilhação e perseguição no local de trabalho, num processo que começou a ser julgado no Tribunal de Braga.
A queixosa, Filipa Costa, de 50 anos, alega que foi alvo de comportamentos hostis por parte do comando do batalhão, incluindo isolamento no local de trabalho e vigilância direta através de uma câmara apontada ao seu posto de trabalho.
Acusações de isolamento e humilhação
Segundo a petição apresentada em tribunal, os episódios terão começado em agosto de 2022, quando Filipa Costa afirma ter sido proibida de falar e de fazer refeições com funcionárias da limpeza, passando a almoçar sozinha.
A funcionária relata ainda que, em abril de 2023, após o comandante ter recusado a utilização de uma ambulância da corporação para transportar a sua mãe do hospital para um lar, Nuno Osório deixou de lhe dirigir a palavra, passando toda a comunicação a ser feita apenas por correio eletrónico.
Um ano mais tarde, segundo a queixosa, foi instalado um vidro junto à sua secretária para a isolar na secretaria e colocada uma câmara de videovigilância direcionada exclusivamente para o seu posto de trabalho.
Alegado esvaziamento de funções
A trabalhadora acusa também o comandante e o adjunto de a terem esvaziado de funções profissionais, impedindo-a de desempenhar o trabalho administrativo que lhe estava atribuído.
Filipa Costa tinha sido colocada no batalhão dos Sapadores em Braga ao abrigo do estatuto de vítima de violência doméstica, com o objetivo de garantir um ambiente de trabalho mais protegido.
Segundo a queixa, a situação terá tido impactos graves na sua saúde, levando ao desenvolvimento de perturbação depressiva e ao acompanhamento por psicólogo e psiquiatra.
Processo judicial e mudança de funções
Após um período de baixa médica, a funcionária foi posteriormente colocada no Centro Coordenador de Transportes de Braga.
Entretanto, Nuno Osório apresentou uma queixa-crime contra a trabalhadora por difamação e denúncia caluniosa, mas o processo acabou por ser arquivado pelo Ministério Público por falta de indícios.
O julgamento agora em curso deverá esclarecer os factos alegados pela funcionária e as responsabilidades do comando do batalhão dos Sapadores de Braga.
































