Presidente ucraniano condena ofensiva inédita que atingiu Lviv em plena luz do dia e fez mortos e dezenas de feridos
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de “depravação absoluta” após uma vaga de ataques com drones que atingiu várias regiões do país, incluindo o centro histórico de Lviv, classificado como Património Mundial.
Segundo as autoridades ucranianas, a ofensiva decorreu em plena luz do dia e envolveu mais de mil drones lançados num período de 24 horas, numa das maiores operações desde o início da guerra. Entre as infraestruturas atingidas está uma igreja histórica, alegadamente danificada por drones do tipo “Shahed”, de origem iraniana e adaptados pela Rússia.
Zelensky não poupou críticas ao presidente russo, Vladimir Putin, afirmando que “só alguém como Putin pode gostar disto”, numa referência à destruição de alvos civis e culturais.
Mortos, feridos e crianças entre as vítimas
Os ataques provocaram pelo menos quatro mortos e mais de 40 feridos, incluindo cinco crianças. As autoridades garantem que as equipas de emergência continuam no terreno a prestar assistência às vítimas.
De acordo com a Força Aérea ucraniana, foram lançados 556 drones entre as 9h00 e as 18h00, aos quais se somaram 392 drones e 34 mísseis durante a noite. A dimensão e o timing dos ataques — realizados durante o dia — são considerados incomuns e indicam uma escalada significativa do conflito.
Património cultural em risco
A ofensiva causou danos no complexo da igreja de Santo André, inserida numa zona classificada pela UNESCO. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia apelou a uma reação imediata da organização internacional face ao que descreveu como um “crime” contra o património cultural.
Também a primeira-ministra ucraniana, Yulia Sviridenko, criticou o ataque, sublinhando que a Rússia está a atingir zonas urbanas densamente povoadas durante o dia, aumentando o risco para civis.
Nova ofensiva russa já em curso
O Instituto para o Estudo da Guerra indicou que a ofensiva russa de primavera-verão já começou, com intensificação dos ataques desde meados de março e reforço de tropas e equipamento na linha da frente.
Analistas apontam ainda que o contexto internacional, nomeadamente a instabilidade no Médio Oriente, poderá estar a beneficiar Moscovo, ao aliviar parcialmente a pressão das sanções sobre o petróleo russo.
Zelensky garantiu que a Ucrânia irá responder aos ataques, reiterando que Kiev não vê sinais de qualquer intenção russa de encerrar o conflito.



































