Relógios avançam este domingo: a história milenar por trás da hora de 60 minutos

Relogio

Mudança para o horário de verão volta a ajustar rotinas, mas a forma como medimos o tempo vem da Antiguidade

Na madrugada deste domingo, Portugal volta a entrar no horário de verão, com os relógios a avançarem uma hora. Em Portugal continental e na Madeira, quando for 01:00 passa a ser 02:00, enquanto nos Açores a mudança acontece à meia-noite, passando de 00:00 para 01:00.

A medida, enquadrada por uma diretiva da União Europeia em vigor desde 2000, visa uma melhor utilização da luz solar, permitindo mais horas de claridade ao final do dia e contribuindo para a redução do consumo de energia.

Apesar disso, o tema continua em debate no espaço europeu. Desde 2018, discute-se o eventual fim da mudança da hora, após uma consulta pública indicar que a maioria dos cidadãos é favorável ao seu término. Ainda assim, a falta de consenso entre os Estados-membros tem mantido o sistema em vigor.

Uma herança com milhares de anos

Se a mudança da hora é relativamente recente, a forma como medimos o tempo tem raízes muito mais antigas. A divisão de uma hora em 60 minutos remonta às civilizações da Mesopotâmia, onde povos como os sumérios e babilónios desenvolveram um sistema numérico baseado no número 60 — o chamado sistema sexagesimal.

Este modelo, com cerca de 5.000 a 6.000 anos, terá surgido por razões práticas. Uma das explicações mais conhecidas está relacionada com a contagem manual: utilizando o polegar para percorrer as 12 falanges dos restantes dedos, e recorrendo à outra mão para contar ciclos, era possível chegar facilmente ao número 60.

Além disso, o número 60 apresenta vantagens matemáticas, sendo divisível por vários números (como 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12, 15, 20 e 30), o que facilitava cálculos — algo essencial para áreas como a astronomia.

Dos astros ao relógio moderno

A influência deste sistema estendeu-se à forma como medimos ângulos e o tempo. Os babilónios dividiram o círculo em 360 graus, uma lógica que mais tarde ajudou a estruturar a medição do tempo.

Já o dia com 24 horas tem origem no Antigo Egito, onde o ciclo diário foi dividido em 12 horas de luz e 12 de escuridão, com base na observação dos astros.

A combinação destas duas heranças — o sistema sexagesimal e a divisão egípcia do dia — deu origem ao modelo que ainda hoje utilizamos: 24 horas por dia, cada hora com 60 minutos e cada minuto com 60 segundos.

Ao longo dos séculos, este sistema foi sendo aperfeiçoado, passando dos relógios de sol e de água para os mecânicos e, mais recentemente, para os relógios atómicos de elevada precisão.

Tentativas de mudança falhadas

Nem sempre esta forma de medir o tempo foi consensual. Durante a Revolução Francesa, foi introduzido um sistema decimal do tempo, com dias divididos em 10 horas. No entanto, a experiência durou pouco mais de um ano e acabou abandonada por falta de adesão e por se revelar pouco prática.

Hoje, apesar dos debates sobre o horário de verão, a base do nosso sistema de medição do tempo permanece praticamente inalterada há milhares de anos — um exemplo de como decisões antigas continuam a moldar o quotidiano moderno.