Pais denunciam maus-tratos em creche nas Flores e entregam 15 vídeos às autoridades

Duas funcionárias foram afastadas da creche Arco-Íris, nas Lajes das Flores. Pais alegam agressões físicas e verbais a crianças e uma auxiliar terá aplicado um “mata-leão” a um menino de dois anos

Duas funcionárias de uma creche na ilha das Flores, nos Açores, estão a ser acusadas de alegados maus-tratos a crianças, algumas com apenas dois anos. Os pais dizem ter entregue ao Ministério Público e ao tribunal pelo menos 15 vídeos que, segundo relatam, documentam episódios de violência física e verbal.

O caso envolve a creche Arco-Íris, pertencente à Casa do Povo das Lajes das Flores, e já provocou a demissão do presidente e do secretário da instituição.

Segundo um dos pais, citado pela RTP-Açores, entre os vídeos entregues às autoridades estará um que mostra uma das funcionárias a fazer um “mata-leão” ao seu filho, de dois anos.

Foram entregues ao Ministério Público e ao tribunal 15 ou mais vídeos de maus-tratos a crianças, incluindo uma das funcionárias a fazer um ‘mata-leão’ ao meu filho, de apenas 2 anos”, afirmou.

Denúncias terão sido registadas em vídeo

As imagens terão sido gravadas durante o mês de agosto por uma funcionária da instituição, que posteriormente apresentou uma denúncia na Polícia de Segurança Pública de Santa Cruz das Flores, no início de setembro.

Outro pai contou que questionou as funcionárias num grupo de WhatsApp depois de ter ouvido rumores sobre alegados maus-tratos. Segundo o seu relato, uma das auxiliares terá confirmado a existência de situações desse tipo.

As denúncias estão agora nas mãos das autoridades, que deverão apurar as circunstâncias e responsabilidades relacionadas com os episódios alegadamente registados.

Duas funcionárias já foram afastadas

As duas funcionárias visadas pelas acusações já não estão a trabalhar diretamente com as crianças.

Uma delas foi despedida pela Casa do Povo das Lajes das Flores. A segunda foi afastada da creche a 18 de setembro, mas mantém o vínculo laboral com a Câmara Municipal das Lajes das Flores, entidade que a tinha cedido à instituição.

A Casa do Povo garante ter adotado medidas preventivas perante as denúncias.

Em resposta ao Notícias ao Minuto, o tesoureiro Gustavo Alves afirmou que as situações conhecidas envolviam “duas funcionárias” e que foram tomadas medidas na sequência de uma denúncia acompanhada por um vídeo.

Direção admite falhas na condução do processo

A instituição reconhece que a gestão do caso não decorreu de acordo com todos os procedimentos que considera exigíveis perante a complexidade da situação.

“A condução deste processo não seguiu alguns trâmites exigíveis pela sua complexidade”, afirmou Gustavo Alves, acrescentando que essa situação levou o presidente a assumir a responsabilidade e a apresentar a demissão, seguindo-se o secretário.

A Casa do Povo rejeita, contudo, que as suspeitas possam ser generalizadas às restantes funcionárias da instituição e defende que os factos devem ser devidamente apurados antes de qualquer conclusão.

A direção afirma ainda pretender contribuir para o apuramento da verdade, melhorar as condições da creche e recuperar a confiança das famílias.

Pais dizem que crianças demonstravam medo

Os pais das crianças já se reuniram com a direção da Casa do Povo, num encontro que, segundo relatam, ficou marcado por momentos de tensão.

Alguns pais dizem ter notado alterações no comportamento dos filhos e sinais de medo quando estes iam para a creche, sem suspeitarem inicialmente que pudessem estar relacionados com alegados maus-tratos.

As autoridades deverão agora esclarecer o que aconteceu e determinar eventuais responsabilidades.

Creche funciona sem educadora há vários meses

O caso surge numa instituição que, segundo o Notícias ao Minuto, está há vários meses sem educadora, funcionando apenas com auxiliares.

A Casa do Povo terá ficado sem candidatos no último concurso para preenchimento da função. Um novo procedimento deverá avançar depois das eleições para os novos órgãos sociais da instituição, cuja data ainda não está definida.

Até ao apuramento dos factos pelas entidades competentes, as acusações permanecem sob investigação.

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