Quase metade das escolas descentralizadas precisa de obras, revela estudo da UMinho

Fernando Alexandre

Mais de 450 edifícios identificados com carências, enquanto autarquias alertam para falta de financiamento

Um estudo da Universidade do Minho concluiu que quase metade das escolas transferidas para a gestão dos municípios necessita de obras de reabilitação, evidenciando fragilidades significativas no parque escolar português.

De acordo com o relatório “Diagnóstico e Avaliação do Processo de Descentralização na área da Educação”, foram identificados 451 edifícios escolares a precisar de intervenções, num universo de 990 infraestruturas descentralizadas. Cerca de 60% destas escolas têm mais de 30 anos, o que ajuda a explicar o elevado nível de degradação.

Durante a apresentação do estudo, o investigador João Cerejeira Silva sublinhou que os dados revelam “carências muito fortes” no estado das infraestruturas, já identificadas há cerca de um ano.

Além das necessidades estruturais, o estudo aponta também para um desequilíbrio financeiro, com os municípios a suportarem despesas superiores às verbas transferidas pelo Estado no âmbito da descentralização. Em várias áreas, como as refeições escolares e a contratação de pessoal, os autarcas reportam défices significativos.

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, reconheceu as limitações, afirmando que não há capacidade financeira nem de construção para intervir em todas as escolas identificadas. Segundo o governante, estão atualmente previstos 1.550 milhões de euros para obras em 387 escolas até ao final da década, deixando ainda dezenas de estabelecimentos por requalificar.

O estudo destaca ainda desigualdades territoriais, com regiões do interior e do Alentejo Litoral a apresentarem situações mais críticas, onde, em alguns casos, a totalidade dos alunos frequenta escolas que necessitam de intervenção urgente.

Seis anos após o início do processo de descentralização na educação, a investigação conclui que é necessário reforçar o financiamento e ajustar os recursos transferidos para garantir melhores condições nas escolas e uma gestão mais equilibrada por parte das autarquias.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here