Pedro Morgado, investigador da UMinho, alerta para aumento das dependências e defende regulação da publicidade ao jogo online
O ICAD – Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências vai inaugurar o primeiro centro especializado no tratamento do jogo patológico, em Lisboa, com abertura prevista até ao verão. O espaço terá como objetivo intervir em casos de dependência em jogos de azar e videojogos, respondendo ao crescimento preocupante deste fenómeno em Portugal.
O professor e investigador da [“organization”,”Universidade do Minho”,”Braga Portugal”], Pedro Morgado, considera este centro “absolutamente fundamental” para identificar e tratar pessoas com perturbação do jogo, que apresentam um perfil diferente dos dependentes de substâncias: frequentemente estão inseridos na sociedade, muitas vezes com rendimentos mais elevados, e os familiares nem sempre percebem a gravidade da situação.
Crescimento alarmante
Nos últimos dois anos, o número de pessoas acompanhadas por perturbação do jogo disparou 118%, ultrapassando os 780 casos no ano passado, segundo dados do ICAD. Morgado atribui este aumento à facilidade de acesso ao jogo online e à crescente publicidade, afirmando que “aqueles que vendem apostas estão sempre um passo à frente das autoridades”.
O investigador alerta ainda para a ubiquidade da publicidade ao jogo, principalmente online e no desporto, incluindo a atuação de influenciadores que promovem casas de apostas ilegais e desreguladas.
A solução passa pela legislação
Para Morgado, a resposta deve passar por uma regulação mais eficaz da publicidade ao jogo, alinhando Portugal com exemplos europeus de sucesso. Sublinha que a União Europeia deve assumir um compromisso mais abrangente face às possibilidades digitais que dificultam o controlo estatal.
O ICAD continua a disponibilizar apoio à população através da Linha 1414, dedicada a comportamentos aditivos, incluindo o jogo patológico.































