“Oeste Hipster” de Francisco Teles da Gama cruza realismo mágico, história e cultura contemporânea num universo literário sem fronteiras

Francisco Teles da Gama

Nova obra reúne 38 contos escritos ao longo de uma década e constrói um território narrativo entre o real e o imaginário, com apresentação marcada para Lisboa

O escritor Francisco Teles da Gama apresenta a sua mais recente obra, Oeste Hipster, um livro composto por 38 contos escritos ao longo de cerca de dez anos, onde se cruzam ficção, história e realismo mágico num universo literário marcado pela hibridização de géneros e geografias.

Natural da Batalha, o autor propõe nesta obra um espaço narrativo em que o imaginário do Velho Oeste se funde com referências contemporâneas e culturais globais, criando uma cartografia literária que atravessa países como Japão, Dinamarca, Inglaterra e Itália, num contínuo jogo entre o real e o ficcional.

Um universo literário onde o tempo e o espaço deixam de ser lineares

Em Oeste Hipster, Francisco Teles da Gama constrói uma narrativa em que o tempo histórico e o espaço geográfico deixam de obedecer a uma lógica linear, permitindo a convivência de personagens históricas, figuras contemporâneas e entidades ficcionais no mesmo plano narrativo.

A obra assume um carácter experimental, onde a própria estrutura do livro desafia convenções tradicionais da narrativa. “Tudo é possível, basta ter um mapa cronológico à mão”, lê-se na apresentação da obra, sublinhando o tom lúdico e conceptual da escrita.

O autor surge ainda como personagem recorrente em várias histórias, introduzindo uma dimensão autobiográfica difusa, na qual memória, observação e ficção se cruzam de forma permanente.

Leiria como centro simbólico de uma identidade periférica

O conceito de “Oeste Hipster” está também associado simbolicamente à região de Leiria, embora se estenda a uma leitura mais ampla de Portugal enquanto território periférico da Europa, com uma identidade cultural própria e em constante reconstrução.

Neste enquadramento, o autor propõe uma reflexão sobre a forma como os espaços geográficos influenciam a construção da narrativa cultural e da identidade contemporânea.

Influências literárias e musicais diversas

A escrita de Francisco Teles da Gama revela um conjunto vasto de influências literárias, onde se destacam nomes como Jorge Luis Borges, Nikolai Gogol, Graham Greene, Jerome K. Jerome e Daphne du Maurier, refletindo uma abordagem estética plural e intertextual.

No plano musical, o autor integra referências que vão da pop alternativa ao jazz, incluindo The Kooks, Capitão Fausto, Luís Severo, bem como figuras fundamentais do jazz como Chet Baker, Oscar Peterson e Miles Davis.

Lançamento marcado para Lisboa com sessão aberta ao público

O lançamento de Oeste Hipster está agendado para o dia 30 de abril, às 19h00, na livraria Good Company Books, em Lisboa, num evento aberto ao público que incluirá conversa, leituras e momentos musicais.

A sessão contará com um diálogo entre o autor e a historiadora de arte Francisca Gigante, bem como interpretações de excertos da obra por vários convidados, num formato que cruza literatura, performance e música.

Percurso académico e ligação às artes

Francisco Teles da Gama é licenciado em História, mestre em História Medieval e doutorando em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É também fundador da FITA – Friends In The Arts, uma instituição dedicada à promoção das artes e das humanidades.

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