Português tetraplégico despede-se na Suíça após optar por morte assistida

Ricardo Fernandes, de 44 anos, partilhou última mensagem nas redes sociais antes de viajar para país onde a prática é legal

Ricardo Fernandes, português de 44 anos que se tornou conhecido pelas suas reflexões públicas sobre a vida e a morte, despediu-se esta sexta-feira antes de viajar para a Suíça, onde decidiu recorrer à morte medicamente assistida.

Tetraplégico há 16 anos, na sequência de um grave acidente rodoviário, o empresário deixou uma última mensagem nas redes sociais — um simples “até já” — após partilhar momentos de convívio com familiares e amigos.

Vida marcada por superação após acidente

O episódio que mudou a sua vida ocorreu em 2009, quando adormeceu ao volante e sofreu um acidente que lhe provocou uma incapacidade de 95%. Permaneceu cerca de 17 horas no local até ser encontrado, seguindo-se um longo período de internamento e recuperação, marcado por complicações clínicas graves.

Apesar das limitações, Ricardo Fernandes reconstruiu a sua vida, tornou-se empresário, constituiu família e assumiu-se como uma voz ativa em torno do debate sobre a morte medicamente assistida em Portugal.

Defesa da “liberdade medicamente assistida”

Ao longo dos últimos anos, defendeu publicamente o direito àquilo que designava como “liberdade medicamente assistida”, criticando os entraves legais e políticos à aprovação da eutanásia no país.

A sua posição tornou-se particularmente visível em entrevistas e intervenções mediáticas, onde abordava o tema sem reservas, assumindo-se como defensor da autonomia individual em situações de sofrimento extremo.

Decisão anunciada e acompanhada por familiares

Em entrevistas anteriores, Ricardo Fernandes já tinha revelado que ponderava recorrer a esta opção, embora sem divulgar datas concretas. A decisão foi agora concretizada na Suíça, país onde a morte assistida é legal em determinadas circunstâncias.

A despedida foi acompanhada por familiares e amigos próximos, tendo várias figuras públicas manifestado mensagens de apoio e homenagem nas redes sociais.

Debate continua em Portugal

O caso volta a trazer para o espaço público o debate em torno da eutanásia em Portugal, um tema que tem gerado discussão política e social nos últimos anos, sem ainda existir um enquadramento legal definitivo.

A história de Ricardo Fernandes, marcada por resiliência, sucesso pessoal e uma posição clara sobre o direito à autodeterminação, deixa agora uma reflexão profunda sobre liberdade, dignidade e escolha individual no fim de vida.

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