Vereadores da oposição consideram que resultado líquido superior a dois milhões de euros não traduz, por si só, boa gestão financeira
Os vereadores do PSD na Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso contestaram a interpretação feita pelo executivo socialista sobre o saldo positivo superior a dois milhões de euros registado nas contas municipais de 2025.
Em comunicado, o grupo municipal social-democrata, liderado por Fátima Alves, defende que este resultado “não é, por si só, um indicador de boa gestão”, sublinhando que a avaliação financeira de uma autarquia deve centrar-se sobretudo na execução orçamental e não apenas no resultado líquido apresentado.
Segundo os vereadores da oposição, a existência de uma reserva por parte do Revisor Oficial de Contas às demonstrações financeiras poderá levantar dúvidas sobre a fiabilidade do balanço e da conta de resultados.
PSD aponta baixa execução no investimento
A principal crítica do partido prende-se com aquilo que considera ser uma fraca execução da despesa de investimento.
De acordo com os dados citados pelo PSD, a despesa de capital prevista em orçamento rondava os 14 milhões de euros, mas apenas 8,7 milhões terão sido executados, correspondendo a uma taxa de execução de 62%.
No caso das aquisições de bens de capital, consideradas uma rubrica central do investimento municipal, a execução ficou nos 7,5 milhões de euros, abaixo dos 12,7 milhões inicialmente orçamentados, o que representa um desvio de 41%.
O partido refere ainda que o Plano Plurianual de Investimentos teve uma execução de 61,6%, considerando que este nível de concretização traduz adiamento de obras e projetos relevantes para o concelho.
Críticas ao endividamento e à carga fiscal
Outro dos pontos destacados pelo PSD é o agravamento do endividamento municipal.
Segundo os vereadores, a dívida do município terá aumentado mais de 70% no mandato anterior, passando de cerca de sete para 12 milhões de euros, sem que esse crescimento tenha tido reflexo proporcional em investimento estruturante.
A oposição critica igualmente o aumento da carga fiscal sobre famílias e empresas, apontando subidas no IMI e a aplicação da derrama municipal à larga maioria das empresas do concelho.
No entendimento do PSD, os munícipes da Póvoa de Lanhoso continuam sujeitos a uma das cargas fiscais mais elevadas do distrito de Braga.
Executivo socialista defende rigor financeiro
As críticas surgem depois da aprovação, em Assembleia Municipal, do Relatório e Contas do Município.
Na ocasião, o presidente da Câmara, Frederico Castro, considerou que os resultados evidenciam uma gestão rigorosa e responsável dos recursos públicos.
O autarca defendeu que o saldo positivo demonstra a capacidade do município para assegurar sustentabilidade financeira, ao mesmo tempo que concretiza investimentos considerados estratégicos para o desenvolvimento do concelho.
































