Sindicato dos Médicos do Norte exige esclarecimentos urgentes à administração após denúncias que apontam falhas informáticas, cirurgias canceladas e alegadas interferências na autonomia clínica
O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) pediu esclarecimentos formais à administração da Unidade Local de Saúde de Braga, após ter recebido uma carta aberta subscrita por vários médicos que denuncia um conjunto de irregularidades consideradas graves e com potencial impacto direto na prestação de cuidados de saúde aos utentes.
Em causa estão falhas associadas ao novo sistema informático, alegados constrangimentos na atividade cirúrgica, saída de profissionais de várias especialidades e denúncias de interferência nas decisões clínicas, situações que, segundo o sindicato, poderão comprometer a continuidade e a qualidade da assistência prestada.
Sindicato exige reunião urgente com a administração
Perante a gravidade das denúncias, o Sindicato dos Médicos do Norte anunciou ter solicitado esclarecimentos ao Conselho de Administração da ULS de Braga e requereu o agendamento urgente de uma reunião.
Em comunicado, a estrutura sindical sublinha que as situações relatadas pelos profissionais justificam uma resposta célere por parte da administração hospitalar, atendendo ao impacto potencial sobre os utentes e sobre o normal funcionamento dos serviços.
Novo sistema informático acusado de provocar falhas críticas
Um dos principais pontos levantados na carta aberta prende-se com a implementação do novo sistema informático SClínico, cuja transição teve início em julho de 2025.
Segundo os médicos, a mudança tecnológica terá provocado diversas disfunções operacionais, incluindo perda de registos de utentes, consultas desaparecidas do sistema, pedidos de exames complementares que não chegaram a ser agendados e que acabaram por caducar, além da impossibilidade de recuperar relatórios clínicos.
São ainda denunciadas agendas duplicadas e marcações inexistentes, situações que, de acordo com o sindicato, representam falhas com impacto significativo na segurança e continuidade dos cuidados prestados.
Cirurgias canceladas e redução da atividade operatória levantam preocupação
A carta aberta denuncia igualmente o cancelamento de cirurgias, incluindo intervenções destinadas a doentes oncológicos, situação que o SMN considera particularmente preocupante.
Os médicos apontam ainda para uma redução do número de cirurgias adicionais realizadas fora do horário normal de trabalho, levantando suspeitas quanto à gestão da atividade cirúrgica.
Segundo o sindicato, existem indícios de eventuais irregularidades neste processo, nomeadamente uma alegada diminuição da cirurgia eletiva que poderá estar a favorecer o recurso ao setor privado.
A estrutura sindical refere também a existência de diferenças remuneratórias entre especialidades no âmbito da cirurgia adicional, circunstância que considera suscetível de levantar questões de equidade e eventual legalidade.
Saída de médicos agrava instabilidade nos serviços
Outro dos aspetos destacados prende-se com a saída de médicos de especialidades consideradas fundamentais para o funcionamento da unidade hospitalar.
De acordo com o Sindicato dos Médicos do Norte, a carta aberta menciona a saída de profissionais dos serviços de Dermatologia, Radiologia e Gastrenterologia, o que poderá agravar a pressão sobre equipas já fragilizadas.
Denúncias de interferência na autonomia técnica
Nos cuidados de saúde primários, os médicos denunciam alegadas interferências em decisões clínicas que, segundo o sindicato, poderão configurar uma violação da autonomia técnica dos especialistas.
A preocupação estende-se ainda à existência de processos e vagas por concluir na ULS de Braga, uma situação que, segundo os profissionais, contribui para o clima de instabilidade vivido na instituição.
Administração chamada a responder
Face à dimensão das denúncias, o Sindicato dos Médicos do Norte aguarda agora uma resposta formal da administração da ULS de Braga.
O caso poderá vir a ganhar maior dimensão nas próximas semanas, caso as situações relatadas não sejam esclarecidas ou corrigidas, numa altura em que a confiança no funcionamento dos serviços públicos de saúde assume especial relevância para utentes e profissionais.
































