Ministro da Habitação diz em Braga que 100 mil jovens compraram casa após isenção do IMT

Miguel Pinto Luz

Miguel Pinto Luz garante que medida ajudou sobretudo jovens da classe média e promete acelerar programa “Construir Portugal”

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, afirmou esta quinta-feira, em Braga, que cerca de 100 mil jovens conseguiram comprar casa no último ano e meio, após a implementação da isenção do IMT e do imposto de selo para jovens compradores de habitação própria.

A declaração foi feita durante uma conferência dedicada aos Modelos de Habitação Cooperativa e Colaborativa, onde o governante defendeu o impacto da medida no acesso à habitação por parte da classe média portuguesa.

“Isto é muito relevante, não é despiciendo dizer-se que 100 mil jovens que não tinham casa têm hoje casa”, afirmou o ministro, sublinhando que os principais beneficiários da medida “não foram jovens ricos”, mas sim trabalhadores da classe média.

Segundo Miguel Pinto Luz, a maioria das aquisições foi realizada por jovens médicos, engenheiros, empreendedores e trabalhadores qualificados, com transações médias a rondarem os 200 mil euros.

“Os ricos não precisavam da medida para comprar casa. Quem andou a comprar estas casas foram jovens trabalhadores e jovens empreendedores”, destacou.

Durante a intervenção, o ministro revelou ainda que o Governo espera ter totalmente implementado o programa “Construir Portugal – Nova Estratégia para a Habitação” já no próximo verão, dois anos antes do prazo inicialmente previsto.

Miguel Pinto Luz considerou, contudo, que a ausência de maioria parlamentar dificultou a aceleração de algumas medidas legislativas, apontando também críticas ao debate político em torno da chamada Lei dos Solos, que considera ter sido “completamente desvirtuada” durante a discussão parlamentar.

O governante reconheceu igualmente que a atual crise habitacional resulta de problemas acumulados ao longo da última década, associados ao crescimento da população ativa e ao aumento da imigração.

Apesar disso, destacou o papel essencial dos imigrantes no crescimento económico do país, defendendo que Portugal não preparou adequadamente respostas ao nível da habitação, saúde e educação para acompanhar esse crescimento populacional.

Na conferência, o ministro revelou ainda que o Executivo está a concluir o novo pacote legislativo relacionado com cooperativas de habitação, apelando a um maior consenso político e social para enfrentar o problema da falta de acesso à habitação.

“Todos nós conhecemos alguém que não consegue aceder à habitação. É um problema real e precisamos de encontrar plataformas de entendimento comum”, concluiu.

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