Ministro garante que todos os alunos deverão ter notas dos exames nacionais até ao final da semana

Fernando Alexandre

Fernando Alexandre assegura que o processo de correção está agora operacional e promete que todas as classificações serão conhecidas nos próximos dias. Governo admite rever profundamente o modelo de correção dos exames.

O ministro da Educação, Ciência e Inovação garantiu esta terça-feira que todos os alunos do ensino secundário deverão receber as classificações dos exames nacionais até ao final da semana, após os problemas registados no novo sistema de correção digital.

A garantia foi dada por Fernando Alexandre durante a audição parlamentar solicitada pelo Livre e pelo PCP sobre o processo de digitalização dos exames nacionais, que este ano foi implementado pela primeira vez.

Governo espera concluir processo nos próximos dias

Segundo o ministro, o mecanismo de correção encontra-se atualmente a funcionar de forma regular, permitindo concluir rapidamente as classificações que ainda estão em falta.

“Nós temos neste momento um mecanismo para a correção. Espero que no final desta semana todos os alunos tenham a sua classificação”, afirmou Fernando Alexandre.

Digitalização provocou vários problemas

Na primeira fase dos exames nacionais de 2026, cerca de 290 mil provas realizadas pelos alunos do 11.º e 12.º anos foram efetuadas em papel e posteriormente digitalizadas para correção eletrónica.

Contudo, o processo ficou marcado por diversos constrangimentos, incluindo:

  • dificuldades de acesso à plataforma digital;
  • erros na digitalização das provas;
  • respostas incompletas ou trocadas;
  • atrasos na divulgação dos resultados;
  • necessidade de corrigir classificações já atribuídas.

Na passada sexta-feira, apesar da afixação das pautas, milhares de alunos continuavam sem nota atribuída e, em disciplinas como Física e Química A, algumas classificações tiveram de ser revistas devido a falhas na correção.

Ainda há alunos sem acesso às provas corrigidas

Além dos atrasos nas classificações, o processo de disponibilização das provas corrigidas também registou dificuldades.

Segundo Fernando Alexandre, até ao final da noite de segunda-feira tinham sido disponibilizadas cerca de 100 mil provas em formato PDF, num universo de aproximadamente 166 mil alunos.

Isto significa que mais de 50 mil estudantes continuavam sem conseguir consultar a respetiva prova corrigida.

Reapreciação e candidatura ao ensino superior garantidas

O ministro assegurou, no entanto, que os alunos prejudicados pelos atrasos não ficarão em desvantagem relativamente aos restantes.

Segundo explicou, os estudantes poderão decidir sobre um eventual pedido de reapreciação da prova assim que tenham acesso à classificação, mantendo igualmente o direito de recorrer à época especial, caso necessário.

Fernando Alexandre garantiu ainda que estão criados todos os mecanismos para assegurar que os candidatos ao ensino superior possam concorrer à primeira fase de acesso, sem prejuízo provocado pelos atrasos.

Governo prepara mudanças já para a segunda fase

Durante a audição, o ministro voltou a defender uma reforma do atual modelo de classificação dos exames nacionais.

Fernando Alexandre considerou que o sistema apresenta fragilidades, sobretudo quando um professor classificador fica impedido de concluir o trabalho por motivos de doença ou outros imprevistos.

“Quando as provas são distribuídas por classificadores, depois não há nada. Se um professor ficar doente e tem cinco respostas para corrigir, elas ficam ali paradas”, exemplificou.

Perante os problemas registados, o governante anunciou que o Ministério da Educação irá introduzir alterações já na segunda fase dos exames nacionais, embora sem revelar, para já, quais serão as medidas concretas.

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