Governo mantém desconto no ISP, mas admite novas medidas face à subida dos combustíveis

Ministro da Economia garante que o Executivo acompanha diariamente a evolução dos preços e admite novas intervenções caso a escalada dos combustíveis o justifique.

O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro de Almeida, afirmou esta sexta-feira que o Governo continua a acompanhar de perto a evolução dos preços dos combustíveis e está a avaliar, de forma permanente, a necessidade de adotar novas medidas para mitigar o impacto da subida dos preços junto das famílias e das empresas.

Durante uma visita aos estaleiros da West Sea, em Viana do Castelo, o governante confirmou que o desconto atualmente aplicado no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) será mantido.

“O Governo continua atento ao assunto. Há um desconto que nós estamos a fazer neste momento e que vai ser mantido. Há uma regra que foi definida que era a de apoiar ou de incentivar ou subsidiar o preço do gasóleo quando ele subisse mais de dez cêntimos do preço antes da guerra. Essa regra está em vigor”, afirmou.

Apesar disso, Castro de Almeida deixou em aberto a possibilidade de novas intervenções caso a evolução dos mercados internacionais o justifique.

“O Governo continua atento e a avaliar permanentemente se justificam ou não novas intervenções. Não há ainda nenhuma decisão tomada sobre isso.”

Segundo a estimativa da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC), o preço do gasóleo simples deverá aumentar cerca de nove cêntimos por litro na próxima semana, enquanto a gasolina simples 95 poderá registar uma subida de 3,5 cêntimos.

Com base nos valores médios divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), o gasóleo simples poderá passar para cerca de 2,058 euros por litro, enquanto a gasolina simples 95 deverá atingir aproximadamente 2,009 euros por litro, embora os preços finais possam variar consoante o posto de abastecimento, a localização e a atualização do desconto no ISP.

O ministro reconheceu que esta evolução representa uma má notícia para consumidores e empresas.

“É uma péssima notícia. Vai refletir-se nas bombas de gasolina e fazer-se sentir nas famílias e nas empresas.”

À margem da visita, Manuel Castro de Almeida destacou ainda o potencial da indústria naval portuguesa, defendendo que Portugal deve aproveitar a sua tradição e localização estratégica para recuperar capacidade de construção naval.

Segundo o governante, o Estado deve apoiar os empresários que pretendam investir neste setor, considerando que existe procura internacional suficiente para reforçar a presença portuguesa nesta indústria e transformá-la novamente num dos motores da economia nacional.

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