Estudo revela que quase metade da rede ciclável de Braga apresenta risco elevado ou extremo para os ciclistas

Avaliação da infraestrutura ciclável identifica vários pontos críticos na cidade e conclui que apenas 7,89% dos percursos auditados oferecem um nível de risco reduzido. ACP defende intervenções estruturais para aumentar a segurança.

Quase metade da rede ciclável auditada em Braga apresenta condições de risco elevado ou extremo para quem utiliza a bicicleta como meio de transporte. A conclusão consta de um estudo divulgado pelo Automóvel Club de Portugal (ACP), que analisou 22,16 quilómetros de infraestrutura ciclável e identificou diversas fragilidades que comprometem a segurança dos ciclistas.

Segundo a avaliação, 42,9% da rede analisada apresenta níveis de risco classificados como elevados ou extremos, enquanto apenas 7,89% dos percursos oferecem condições consideradas de risco reduzido.

Infraestrutura é o principal fator de risco

O estudo conclui que os problemas de segurança resultam sobretudo da forma como a infraestrutura foi concebida e não do comportamento dos utilizadores da via.

O risco não é aleatório nem comportamental: é um problema de desenho, e por isso é corrigível“, refere o ACP.

Entre os fatores que mais contribuem para o aumento do risco destacam-se a circulação em vias partilhadas com veículos motorizados, a reduzida separação lateral entre bicicletas e automóveis e a configuração de vários cruzamentos urbanos.

Os dados revelam que 83,1% dos troços considerados críticos correspondem a vias onde bicicletas e automóveis circulam no mesmo espaço, enquanto 89,2% apresentam uma distância inferior a um metro entre o ciclista e a faixa de rodagem destinada ao tráfego motorizado.

Colisões com automóveis preocupam

A possibilidade de colisão entre bicicletas e veículos motorizados surge como uma das principais preocupações identificadas pelo estudo.

Cerca de 38% da rede ciclável apresenta níveis de risco elevados ou extremos relativamente a este tipo de conflito.

Em contrapartida, o risco de colisão entre ciclistas é considerado reduzido na quase totalidade dos percursos avaliados.

No centro histórico, o estudo alerta ainda para outro fator de perigo: a presença de pavimento em calçada. Em condições de chuva, este tipo de piso aumenta significativamente o risco de queda, obrigando a soluções que conciliem a segurança dos ciclistas com a preservação do património urbano e a circulação pedonal.

Treze zonas críticas identificadas

A análise permitiu identificar sete pontos críticos de interação entre bicicletas e tráfego motorizado:

  • Rua dos Biscaínhos;
  • Rua Cruz de Pedra;
  • Rua D. Afonso Henriques;
  • Largo de Santa Cruz;
  • Rua dos Chãos;
  • Avenida da Imaculada Conceição;
  • Rua do Raio.

Foram ainda identificados seis locais críticos onde coexistem conflitos entre peões e ciclistas:

  • Rua de São Marcos;
  • Avenida da Liberdade;
  • Avenida Central;
  • Rua do Souto;
  • Rua dos Capelistas;
  • Rua Dr. Justino Cruz.

Segundo o ACP, este levantamento permite ao município definir prioridades concretas de intervenção.

“O município passa a ter uma lista priorizada, e não uma preocupação genérica”, refere a entidade.

Propostas para tornar Braga mais segura para quem anda de bicicleta

Além do diagnóstico, o estudo apresenta um conjunto de soluções destinadas a melhorar a segurança da mobilidade ciclável em Braga.

Uma das principais propostas passa pela reorganização da circulação no centro histórico, privilegiando aquele espaço como zona de permanência e reduzindo o atravessamento ciclável através da criação de um anel orbital com cerca de 2,12 quilómetros.

Esta alternativa permitiria encaminhar os fluxos provenientes dos bairros antes da entrada no núcleo medieval, mantendo simultaneamente a acessibilidade ao centro.

“O anel não retira o ciclista do centro: dá-lhe uma alternativa mais rápida”, sublinha o ACP.

Estudo recorreu à metodologia CycleRAP

A avaliação foi desenvolvida pela Lane Patrol, empresa portuguesa especializada na digitalização e avaliação de infraestruturas rodoviárias e de mobilidade ativa, responsável pela aplicação da metodologia CycleRAP em Portugal.

O trabalho contou com o apoio da Federação Internacional do Automóvel (FIA) e enquadra-se na estratégia do Automóvel Club de Portugal de promover uma mobilidade mais segura, sustentável e acessível para todos os utilizadores da via pública.

Os resultados agora apresentados fornecem um retrato detalhado da atual rede ciclável de Braga e constituem uma base técnica para futuras intervenções destinadas a aumentar a segurança dos ciclistas e melhorar as condições de mobilidade ativa no concelho.

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