Professor catedrático de Bioquímica, antigo bastonário da Ordem dos Farmacêuticos e uma das maiores referências da ciência portuguesa faleceu aos 94 anos
O professor catedrático Francisco Carvalho Guerra, natural de Braga e considerado uma das figuras mais marcantes do ensino superior e da investigação científica em Portugal, morreu esta quarta-feira, aos 94 anos.
Fundador do Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa, instituição que viria a dar origem à atual Universidade Católica do Porto, Francisco Carvalho Guerra deixa um legado ímpar nas áreas da ciência, da educação e do serviço público, sendo recordado como um dos grandes impulsionadores da investigação científica em Portugal.
Uma vida dedicada ao ensino, à ciência e ao serviço público
Especialista em Bioquímica, Francisco Carvalho Guerra desempenhou ao longo da sua carreira vários cargos de enorme relevância académica e institucional.
Entre as funções que exerceu destacam-se:
- Professor catedrático de Bioquímica;
- Fundador da Universidade Católica do Porto;
- Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos;
- Presidente da Sociedade Portuguesa de Bioquímica;
- Presidente do Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa;
- Vice-reitor da Universidade do Porto entre 1985 e 1991.
O seu percurso ficou marcado pelo contributo para o desenvolvimento do ensino superior e da investigação científica, bem como pela capacidade de aproximar a ciência, a cultura e os valores humanistas.
Universidade Católica presta homenagem
Numa nota de pesar, a reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil, lamentou profundamente o desaparecimento de quem descreve como uma das figuras mais importantes da história da instituição.
Conhecido por muitos como “Pai Guerra”, Francisco Carvalho Guerra é recordado como uma inspiração para várias gerações de estudantes, docentes e investigadores.
Segundo a reitora, o professor desempenhou um papel decisivo na consolidação da Universidade Católica e na promoção da investigação científica em Portugal, deixando um legado que permanecerá na memória da comunidade académica.
Municipio de Braga lamenta a perda de um dos seus mais ilustres filhos
Também a Câmara Municipal de Braga manifestou profundo pesar pela morte do académico.
O presidente da autarquia, João Rodrigues, classificou Francisco Carvalho Guerra como “um dos bracarenses mais distintos da sua geração”, destacando a inteligência, a visão e a dedicação ao conhecimento que marcaram toda a sua vida.
O autarca salientou ainda que Braga perde um cidadão exemplar que nunca deixou de manter uma forte ligação às suas origens, contribuindo para projetar o nome da cidade ao mais alto nível da ciência e da academia.
O executivo municipal anunciou que apresentará um voto de pesar na próxima reunião de Câmara, prestando homenagem ao percurso e ao legado do professor.
Um legado que perdura
Ao longo de várias décadas, Francisco Carvalho Guerra afirmou-se como uma referência incontornável da ciência portuguesa, deixando uma marca profunda na formação de milhares de estudantes, no crescimento do ensino superior e na valorização da investigação científica.
A sua visão, dedicação e compromisso com o conhecimento fizeram dele uma personalidade incontornável da academia nacional, cujo contributo continuará a influenciar futuras gerações de investigadores, professores e profissionais das ciências da saúde.
Com o seu desaparecimento, Portugal perde uma das figuras mais relevantes da história recente do ensino universitário e da investigação científica, permanecendo vivo o legado de uma vida inteiramente dedicada ao conhecimento, à inovação e ao serviço da sociedade.
































