APA alerta para défices sedimentares, apesar da recuperação natural já registada em muitas zonas
As tempestades do inverno de 2025/2026 provocaram impactos significativos na morfologia das praias portuguesas, com efeitos que ainda permanecem visíveis em grande parte do litoral continental.
Segundo um novo relatório da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), 59% das praias monitorizadas continuam abaixo dos valores médios históricos de largura e volume de areia.
Por outro lado, 41% já recuperaram ou ultrapassaram os valores médios de referência, evidenciando uma capacidade significativa de recuperação natural dos areais.
Recuperação ainda é desigual
A análise da APA mostra que, nas praias onde foi possível comparar diretamente as perdas provocadas pelas tempestades com a situação atual:
- 35% a 41% recuperaram totalmente ou ultrapassaram as perdas registadas, dependendo da dimensão analisada;
- cerca de 45% apresentam recuperação parcial;
- apenas uma pequena parcela continua com sinais de erosão persistente ou sem recuperação efetiva.
Os especialistas consideram que a recuperação deverá continuar nos próximos meses, uma vez que o período entre o final das tempestades e os levantamentos realizados ainda foi relativamente curto.
27 praias monitorizadas
O estudo analisou 27 praias de Portugal continental, incluindo 19 na costa ocidental e oito no Algarve.
Entre os concelhos abrangidos encontram-se Caminha, Esposende, Vila do Conde, Matosinhos, Ovar, Vagos, Figueira da Foz, Leiria, Marinha Grande, Almada, Sesimbra, Odemira, Lagoa, Albufeira e Olhão.
Minho também está entre as zonas analisadas
Para o litoral minhoto, a monitorização incluiu praias dos concelhos de Caminha e Esposende, permitindo acompanhar a evolução dos areais após os episódios de forte agitação marítima registados no último inverno.
A APA salienta que uma parte significativa das praias já apresenta processos de recuperação natural, mas sublinha que a evolução deve continuar a ser acompanhada.
A manutenção destes programas de monitorização é considerada essencial para identificar zonas vulneráveis, avaliar a eficácia das intervenções e definir prioridades de gestão da faixa costeira, sobretudo num contexto de agravamento dos riscos associados às alterações climáticas.


































