Testemunha afirma em tribunal ter visto Matheus Marley esfaquear mortalmente Manu em Braga

Jovem ouvido por videoconferência garantiu ter presenciado as três facadas fatais junto ao Bar Académico da Universidade do Minho. Defesa contesta versão e aponta ausência de ADN do arguido na arma do crime.

Uma das principais testemunhas do julgamento da morte de Manuel Gonçalves, conhecido por “Manu”, garantiu esta quarta-feira, no Tribunal Judicial de Braga, ter assistido diretamente ao momento em que o arguido, Matheus Marley Machado, alegadamente desferiu as facadas que provocaram a morte do jovem estudante de 19 anos.

Ouvido por videoconferência a partir do Rio de Janeiro, o jovem brasileiro Luiz Filipe Lanzetti afirmou não ter dúvidas sobre a identidade do autor do ataque, assegurando que se encontrava a poucos metros do local dos acontecimentos na madrugada de 12 de abril de 2025.

“Vi tudo, estava a seis ou sete metros”

Perante o coletivo de juízas, a testemunha relatou que presenciou o momento em que Manu foi atingido com três golpes de faca, alegadamente desferidos por Matheus Marley Machado, após uma altercação que teve origem no interior do Bar da Associação Académica da Universidade do Minho.

Segundo o seu testemunho, os golpes atingiram zonas vitais do corpo da vítima, que caiu de imediato gravemente ferida. Luiz Lanzetti explicou que tentou prestar auxílio ao jovem estudante, procurando estancar a hemorragia enquanto outras pessoas alertavam os serviços de emergência.

A testemunha recordou ainda o ambiente de pânico que se seguiu ao ataque, descrevendo momentos de grande confusão até à chegada dos meios de socorro. Manu acabaria por não resistir aos ferimentos, vindo a falecer posteriormente no hospital.

Conflito teve origem após desacatos no interior do bar

De acordo com o depoimento prestado em tribunal, os acontecimentos terão começado após desacatos ocorridos durante uma festa frequentada por estudantes brasileiros no Bar Académico.

Segundo a testemunha, Manu e o amigo Rodrigo Mendes, conhecido por “Popó”, foram retirados do estabelecimento pelos seguranças e permaneceram no exterior à espera de Matheus Marley Machado.

Luiz Lanzetti relatou que, numa fase inicial do confronto, Marley terá atingido Rodrigo Mendes com uma garrafa de cerveja e, posteriormente, utilizado uma faca que estaria na posse dos dois jovens bracarenses, desferindo então os golpes fatais em Manu.

Defesa questiona credibilidade do testemunho

A defesa de Matheus Marley Machado contestou a versão apresentada, alegando existirem contradições entre o depoimento prestado em tribunal e declarações anteriores feitas pela testemunha à Polícia Judiciária e ao Ministério Público.

A advogada do arguido destacou ainda um elemento que considera relevante para o processo: a ausência de vestígios de ADN de Matheus Marley Machado na faca apreendida pelas autoridades.

Segundo a defesa, os exames periciais identificaram material genético da vítima e de duas outras pessoas que, até ao momento, não terão sido identificadas no âmbito do processo.

Julgamento aproxima-se da fase decisiva

O julgamento continua a decorrer no Tribunal Judicial de Braga, sob fortes medidas de segurança, num caso que tem gerado elevada atenção pública desde a morte do jovem estudante junto ao Bar Académico da Universidade do Minho.

Nas próximas sessões deverão continuar a ser analisados os depoimentos, os elementos periciais e as restantes provas apresentadas pelas partes, antes de o coletivo de juízas proferir decisão sobre os factos em apreciação.

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