Tradição com quase seis décadas esgota mil vagas e junta gerações entre os 14 e os 83 anos nas ruas da cidade.
As ruas do centro de Viana do Castelo enchem-se de cor, ouro e devoção na tarde desta quarta-feira, com a realização de mais um Desfile da Mordomia. O momento, um dos mais aguardados e icónicos da Romaria da Senhora d’Agonia, volta a juntar mil mulheres trajadas a rigor, numa clara demonstração da vitalidade do património cultural minhoto.
Uma tradição que une gerações e atravessa fronteiras
A adesão ao evento voltou a ser massiva, com as mil vagas disponíveis para a edição de 2026 a esgotarem rapidamente. O desfile deste ano junta participantes com idades compreendidas entre os 14 e os 83 anos — uma amplitude de quase sete décadas que reforça a passagem do testemunho intergeracional.
Do total de participantes registadas:
- 766 representam todas as freguesias e uniões de freguesia do concelho de Viana do Castelo;
- 181 chegam de diversos concelhos do território nacional;
- 53 viajam diretamente da diáspora portuguesa no estrangeiro.
História e orgulho de um povo no peito e nos trajes
Criado em 1968 por iniciativa de Amadeu Costa, o desfile inspira-se nos antigos cortejos em que as jovens mordomas das freguesias se deslocavam à cidade para cumprimentar as autoridades civis e religiosas.
Pelas artérias vianenses voltam a desfilar os tradicionais Trajes à Vianesa e de Mordoma — passados de mães para filhas —, acompanhados pelos Trajes de Festa da Ribeira, de Morgada e de Cerimónia.
Manuel Vitorino, presidente da VianaFestas, destaca o significado profundo do momento: “Trajar e ourar em Viana é muito mais do que vestir um traje e colocar o ouro. É levar às ruas uma história de família, a devoção e a fé, a identidade de uma freguesia, a memória e o orgulho de uma tradição que passa de geração em geração. Dos 14 aos 83 anos, estas mulheres mostram que a Mordomia tem passado, presente e futuro.”
O desfile arranca às 16:00, prometendo voltar a encantar os milhares de visitantes e residentes que se concentram no coração da capital do Alto Minho.































