Primeiro-ministro defende manutenção do equilíbrio das contas públicas e rejeita medidas que, segundo afirma, poderiam aumentar o custo de financiamento do país
Luís Montenegro esteve este sábado em Esposende e afirmou que não será «o pai da austeridade», numa intervenção em que defendeu a manutenção do equilíbrio das contas públicas perante a subida dos preços dos combustíveis.
O primeiro-ministro falava aos jornalistas no final de uma homenagem aos antigos ministros Couto dos Santos e Oliveira Martins, realizada em Esposende. Montenegro sustentou que uma política considerada excessivamente expansionista poderia aumentar o custo de financiamento do Estado e, consequentemente, criar encargos futuros.
«Se nós desequilibrarmos as contas, se nós formos demasiado voluntaristas e facilitistas, o dinheiro vai ficar mais caro. E se o dinheiro ficar mais caro, é preciso pagá-lo», afirmou.
«Não vou ser o pai da austeridade»
Montenegro relacionou esta posição com a necessidade de evitar que medidas de apoio no curto prazo possam resultar, no futuro, em défice e dívida mais elevados.
«Se eu trocasse isso por uma medalha destinada a premiar uma grande ajuda que eu pudesse dar hoje às famílias e às empresas portuguesas, significaria, no futuro, sacrifícios, cortes, aquilo que o país conheceu lá atrás como políticas de austeridade», afirmou.
E acrescentou: «Há uma coisa que eu prometo aos portugueses: eu não vou ser o pai da austeridade, não vou mesmo».
Governo mantém apoios aos combustíveis
A intervenção surge dois dias depois de o Governo ter anunciado um conjunto de medidas para responder ao aumento dos combustíveis e do custo de vida.
Entre as medidas anunciadas está a manutenção, até ao final do ano, do mecanismo de redução do ISP, bem como apoios específicos a setores mais expostos ao aumento dos custos energéticos. O Executivo anunciou também 38 milhões de euros para setores como transportes, táxis, bombeiros e instituições de solidariedade social.
Segundo Montenegro, o apoio aos combustíveis representa atualmente cerca de 25 cêntimos por litro para os cidadãos e chega aos 35 cêntimos em alguns setores específicos.
O primeiro-ministro estimou que o conjunto das medidas de apoio ascenderá a cerca de 2.300 milhões de euros até ao final do ano.
IRS e suplemento para pensionistas
Montenegro destacou ainda outras medidas aprovadas pelo Governo, nomeadamente uma nova redução do IRS até ao sexto escalão e um suplemento extraordinário para pensionistas.
A redução do IRS deverá refletir-se nos salários de novembro e no subsídio de Natal, enquanto o suplemento extraordinário para pensionistas será pago em dezembro.
O Executivo enquadra estas medidas numa estratégia que combina apoio aos rendimentos com a manutenção do equilíbrio das contas públicas.
«Não podemos eliminar um aumento de preços que não dominamos»
Sobre a subida dos combustíveis, o primeiro-ministro voltou a associar a evolução dos preços à conjuntura internacional, nomeadamente à guerra, à instabilidade comercial e à incerteza económica.
«Não vale a pena vendermos a ilusão às pessoas de que a ajuda do Governo pode ir ao ponto de eliminar um aumento de preços que nós não dominamos», afirmou.
Questionado sobre a diferença dos preços dos combustíveis entre Portugal e Espanha, Montenegro reconheceu a existência de desafios e das regras de concorrência, mas rejeitou a ideia de trocar Portugal pelo país vizinho.
«Um país que tem problemas, um país que tem desafios e um país que tem de se confrontar com as regras, naturalmente, da concorrência. Mas um país que eu não troco pelo país que fica de lado lá da fronteira», afirmou.
































