Presidente da Câmara de Braga destaca transformação do Rio Este, aposta na renaturalização urbana e defende uma cidade mais verde e preparada para os extremos climáticos.
“A cidade é para as pessoas.” A frase do presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, resume a visão que o autarca apresentou para a transformação urbana da cidade e que encontra na intervenção realizada no Rio Este um dos seus exemplos mais visíveis.
Na inauguração da intervenção no corredor ribeirinho, João Rodrigues destacou a mudança profunda registada naquele espaço ao longo dos últimos anos, lembrando que o Rio Este já foi, durante muito tempo, uma presença pouco valorizada na vida da cidade.
Hoje, considera o autarca, a realidade é diferente: o rio começa a assumir-se como um “ativo vivo do dia a dia das pessoas”, permitindo devolver à população um espaço natural que durante décadas esteve excessivamente condicionado pela urbanização.
“Conseguimos, de uma forma muito clara, perceber o que tínhamos há uns anos atrás e o que temos hoje”, afirmou João Rodrigues, sublinhando a transformação visual e ambiental do corredor do Rio Este.
“Devolver o rio à sua condição natural”
O presidente da Câmara de Braga recordou que, no passado, o Rio Este funcionava em muitos troços “encaixado numa espécie de corredor estreito de betão e cimento”.
A estratégia atual é precisamente a inversa: dar espaço ao rio e recuperar as suas características naturais.
“O trabalho que estamos a fazer é exatamente dar espaço ao rio, dar naturalidade, devolver aquilo que era o seu leito natural”, explicou.
Para o autarca, a renaturalização do curso de água constitui uma mudança estrutural na relação da cidade com o rio, contribuindo simultaneamente para a recuperação ambiental e para a prevenção de problemas associados à precipitação intensa.
A intervenção ganha particular importância em zonas que, no passado, registavam problemas frequentes de inundação, nomeadamente junto a áreas mais densamente urbanizadas e a espaços onde existiam garagens e outras infraestruturas vulneráveis.
Segundo João Rodrigues, o conjunto de intervenções realizadas tem permitido mitigar grande parte dessas ocorrências, através da criação de maior capacidade para o rio e da recuperação das suas condições naturais.
“Ainda temos muito trabalho pela frente”
Apesar da transformação registada, o presidente da Câmara deixa claro que o processo está longe de estar concluído.
João Rodrigues recordou que ainda recentemente ocorreu uma pequena descarga no Rio Este e afirmou que Braga não pode aceitar que situações deste género voltem a repetir-se.
“Não estamos em condições de aceitar que isso volte a acontecer”, afirmou.
O autarca sublinhou que a recuperação de um rio urbano exige continuidade, investimento e acompanhamento permanente, sobretudo numa cidade onde o curso de água atravessa zonas de elevada densidade populacional, construção e atividade económica.
A melhoria das condições ambientais do rio deverá, por isso, continuar a ser acompanhada por medidas de prevenção e por uma maior preocupação com a qualidade da água.
Uma cidade preparada para extremos climáticos
João Rodrigues enquadrou ainda a intervenção no Rio Este numa estratégia municipal mais ampla de adaptação às alterações climáticas.
Braga enfrenta, segundo o autarca, uma realidade marcada por verões com temperaturas muito elevadas e invernos com períodos de precipitação intensa, obrigando a repensar a forma como o espaço urbano é planeado.
“Temos de ter noção que a cidade é para as pessoas, para o seu bem-estar”, afirmou.
É nesse contexto que o município pretende avançar com projetos de criação e valorização de espaços verdes, requalificação urbana e preservação ambiental.
O objetivo passa por tornar Braga “uma cidade melhor de dia para dia” e, sobretudo, “uma cidade mais verde”.
“Devolver a natureza às pessoas”
Para João Rodrigues, a política ambiental não pode ser dissociada da qualidade de vida dos cidadãos.
“É importante devolver a natureza às pessoas e principalmente às pessoas da cidade”, defendeu.
O autarca afirmou que a estratégia municipal passa por criar mais parques verdes e trabalhar a requalificação do espaço urbano, integrando preocupações ambientais no planeamento e no orçamento municipal.
Entre as prioridades está também a preservação da qualidade do ar e a criação de condições naturais num território que tem registado crescimento urbano e aumento da densidade populacional.
“Apostar na cidade é criar condições naturais numa cidade que, até pela sua dimensão, com esta densidade e com o crescimento que vivemos, tem de ter noção que a cidade é para as pessoas”, afirmou.
Ambiente com impacto na vida das pessoas
João Rodrigues defendeu ainda uma visão pragmática da política ambiental.
Na sua perspetiva, uma cidade “amiga do ambiente” tem de ser, antes de tudo, amiga das pessoas, e as políticas de sustentabilidade devem produzir efeitos concretos na vida quotidiana.
“Ser amigo do ambiente tem que ter uma consequência na vida das pessoas”, afirmou.
É precisamente essa lógica que o município pretende aplicar na recuperação dos rios, na criação de espaços verdes e na renaturalização do espaço urbano.
A intervenção no Rio Este é apresentada, assim, como parte de uma estratégia mais abrangente, em que a recuperação ambiental deve caminhar lado a lado com a melhoria do espaço público e do bem-estar dos cidadãos.
Braga quer continuar a renaturalizar o espaço urbano
O presidente da Câmara admitiu que o município pretende continuar a trabalhar na renaturalização do espaço urbano, devolvendo áreas naturais à cidade e criando espaços mais aprazíveis para quem vive e visita Braga.
“Há essa preocupação de devolver verde, devolver espaço mais aprazível”, afirmou.
A estratégia procura também responder aos desafios colocados pelas alterações climáticas, utilizando soluções naturais para melhorar a capacidade da cidade para enfrentar temperaturas extremas e episódios de chuva intensa.
João Rodrigues considera que a transformação do Rio Este demonstra que esta mudança é possível e que Braga pode continuar a avançar nessa direção.
A intervenção representa, assim, mais do que a recuperação de um curso de água: é, para o município, um passo na construção de uma cidade em que o rio, a natureza e o espaço público voltam a fazer parte da vida quotidiana dos cidadãos.
































