José Pimenta Machado destaca a criação de novas áreas verdes junto ao Rio Este e revela disponibilidade para trabalhar com o município num grande espaço público dedicado à adaptação climática.
A criação de mais espaços verdes e de sombra em Braga poderá ganhar uma nova dimensão com a criação de um “jardim climático”, uma proposta avançada pelo presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado, durante a visita à intervenção realizada no Rio Este.
O responsável considera que a recuperação do corredor ribeirinho representa uma mais-valia para a cidade não apenas na perspetiva da requalificação ambiental e da prevenção de cheias, mas também enquanto resposta aos efeitos das alterações climáticas, nomeadamente às ondas de calor.
“Aquilo que estamos a fazer aqui vai minimizar o efeito das ondas de calor”, afirmou José Pimenta Machado, destacando a importância da criação de zonas de sombra e de áreas verdes.
Mais sombra para enfrentar o calor extremo
O presidente da APA sublinhou que as projeções e os planos de adaptação climática apontam para um futuro marcado por temperaturas mais elevadas e fenómenos extremos mais frequentes.
“Os nossos planos indicam-nos para o futuro mais calor, mais eventos extremos”, afirmou, defendendo que a recuperação dos espaços verdes e dos corredores ribeirinhos deve ser encarada como uma ferramenta de adaptação às alterações climáticas.
Nesse contexto, a intervenção no Rio Este ganha uma dimensão que ultrapassa a simples recuperação de um curso de água.
A criação de áreas verdes, zonas de sombra e espaços de permanência permite reduzir a exposição da população às temperaturas elevadas e criar zonas urbanas mais confortáveis durante os períodos de maior calor.
Para José Pimenta Machado, esta é “outra mais-valia do projeto”, que pode contribuir diretamente para tornar Braga mais preparada para os efeitos das alterações climáticas.
Um “jardim climático” para Braga
O presidente da APA revelou ainda que o presidente da Câmara Municipal de Braga tem em perspetiva a criação de um projeto de maior dimensão, que classificou como uma espécie de “jardim climático”.
“Vou dizer aqui em direto: o senhor presidente da Câmara de Braga quer criar aqui uma espécie de um jardim climático”, revelou.
A ideia passa pela criação de um grande espaço público com condições específicas para minimizar o impacto das ondas de calor na população de Braga.
José Pimenta Machado manifestou disponibilidade para que a APA possa trabalhar conjuntamente com o município na concretização desse projeto.
“É outro projeto que podemos trabalhar conjuntamente, aqui aproveitando um bocadinho o trabalho que tem sido feito aqui no Rio Este”, afirmou.
Rio Este como ponto de partida
Para o presidente da APA, a intervenção realizada no Rio Este pode constituir uma base para uma estratégia mais ampla de adaptação climática da cidade.
A recuperação do corredor ribeirinho permite combinar diferentes respostas: valorização ambiental, criação de espaços verdes, melhoria das condições de fruição pública e redução da exposição da população a fenómenos extremos.
A estratégia passa, assim, por aproveitar os próprios elementos naturais do território para responder aos efeitos das alterações climáticas.
Mais do que criar estruturas artificiais para combater o calor, a aposta passa pela criação e recuperação de infraestruturas verdes, capazes de proporcionar sombra, reduzir temperaturas e melhorar a qualidade dos espaços urbanos.
Braga prepara resposta a um clima mais extremo
A intervenção no Rio Este surge num momento em que a adaptação das cidades às alterações climáticas ganha crescente importância nas políticas ambientais.
Ondas de calor mais intensas e frequentes, períodos de precipitação extrema e risco de cheias obrigam os municípios a repensar a forma como os espaços urbanos são planeados.
Nesse contexto, José Pimenta Machado considera que Braga está a criar condições para responder a esses desafios através da valorização dos seus espaços naturais e da criação de novas áreas verdes.
O futuro “jardim climático” poderá ser mais um passo nessa estratégia, transformando o espaço público numa ferramenta de adaptação e proteção das populações.
A proposta deixa assim em aberto uma nova frente de colaboração entre a Câmara Municipal de Braga e a Agência Portuguesa do Ambiente, tendo como ponto de partida o trabalho desenvolvido no Rio Este e como objetivo preparar a cidade para um futuro com temperaturas mais elevadas e fenómenos climáticos extremos.
































