Comissária Europeia para o Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular considera que o trabalho desenvolvido em Braga demonstra que é possível conciliar proteção ambiental, segurança hídrica e qualidade de vida.
A gestão da água é uma prioridade para a Comissão Europeia e Braga pode constituir um exemplo para outras cidades europeias. A ideia foi deixada por Jessika Roswall, Comissária Europeia para o Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular, que destacou o trabalho desenvolvido na cidade na transformação dos espaços urbanos e na resposta aos riscos associados à água.
Durante a sua passagem por Braga, a responsável europeia sublinhou que a escassez e a poluição da água representam riscos de segurança que exigem respostas concretas, garantindo que a legislação europeia de proteção da qualidade da água continuará a ter um papel central.
“A água é realmente uma prioridade para a Comissão”, afirmou Jessika Roswall, lembrando que regiões e cidades, como Portugal e Braga, enfrentam riscos relacionados não apenas com a escassez, mas também com a poluição dos recursos hídricos.
A comissária assegurou que a União Europeia dispõe de uma legislação ambiental forte para garantir a qualidade da água e que essa proteção “não vai mudar”.
“Isso continuará a ser importante para nós, para mim e para as pessoas que vivem aqui”, afirmou.
Braga como exemplo de adaptação
Jessika Roswall destacou, em particular, o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em Braga, considerando que a transformação dos espaços urbanos pode produzir benefícios simultâneos para o ambiente e para as populações.
Na avaliação da comissária, os projetos desenvolvidos na cidade demonstram que é possível avançar com uma transformação que beneficie os residentes, melhore a relação com a água e aumente a preparação para fenómenos de cheias.
“Penso que demonstra que é possível fazer uma transformação que seja boa para as pessoas que vivem aqui, boa para a água, boa para a preparação para as cheias e também para a recreação”, afirmou.
A responsável europeia destacou ainda a possibilidade de os cidadãos usufruírem dos espaços intervencionados, considerando que essa dimensão deve estar integrada nas políticas ambientais e de adaptação das cidades.
“É também importante que as pessoas possam desfrutar dos espaços à volta”, acrescentou.
Para Jessika Roswall, Braga apresenta, assim, um caso concreto que pode ser mostrado a outras cidades e regiões europeias como exemplo da importância de projetos que conciliem resiliência hídrica, proteção ambiental, prevenção de cheias e qualidade de vida.
“É um exemplo muito bom para mim, que posso levar a outros, para mostrar quão importantes são para nós este tipo de projetos, mas também os benefícios que trazem para as pessoas, sobretudo para as pessoas que aqui vivem”, concluiu.
Matérias-primas críticas também preocupam Bruxelas
Na mesma intervenção, a comissária europeia relacionou a política ambiental com outro dos desafios estratégicos da União Europeia: o acesso a matérias-primas críticas necessárias para a transição energética e para a digitalização.
Jessika Roswall defendeu que a Europa precisa de reduzir a dependência de fornecedores únicos de matérias-primas consideradas estratégicas.
“Precisamos de estar seguros de que não somos dependentes de matérias-primas críticas de que necessitamos para a nossa transição verde e para a nossa digitalização. E hoje esse não é o caso”, afirmou.
A Comissão Europeia tem identificado locais considerados de importância estratégica para o acesso a estes recursos. A fase seguinte passa, segundo a comissária, pelos processos de licenciamento ambiental, numa discussão que terá também de ser concretizada ao nível nacional.
Ainda assim, Jessika Roswall sublinhou que, na sua perspetiva, os dois objetivos não são incompatíveis: garantir o acesso europeu a matérias-primas críticas e, simultaneamente, assegurar a proteção dos recursos hídricos.
“Precisamos de fazer as duas coisas”, resumiu.
Para a Comissão Europeia, a experiência de Braga evidencia precisamente essa necessidade de conciliar desenvolvimento, adaptação às alterações climáticas, proteção dos recursos naturais e benefícios concretos para as populações.

































