Braga recupera 464 metros do Rio Este e cria novos espaços junto às margens

Intervenção de 875 mil euros entre a Lagoa e a Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires aposta na renaturalização, na prevenção de cheias e na aproximação da população ao rio.

O Rio Este ganhou um novo rosto em Braga. O Município inaugurou esta quinta-feira a intervenção de regularização e renaturalização do troço entre a Lagoa e a Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires, uma obra de 875 mil euros que recuperou cerca de 464 metros do corredor ribeirinho.

A intervenção abrange uma área de aproximadamente 14.435 metros quadrados e pretende devolver maior naturalidade ao curso de água, reforçar a capacidade de resposta perante cheias e criar novas condições para a população usufruir das margens do rio.

Do investimento total de 875.656,40 euros, cerca de 700 mil euros foram assegurados através de financiamento da Agência Portuguesa do Ambiente.

Muros de betão deram lugar a soluções naturalizadas

O troço intervencionado apresentava sinais de degradação, erosão do leito, assoreamento, vegetação invasora e uma forte artificialização das margens.

Os antigos muros de betão foram substituídos por soluções de engenharia natural, recorrendo a blocos de granito, madeira, geotêxtil e vegetação autóctone.

Foram também recuperados o leito e os taludes, reforçada a galeria ripícola e instaladas estruturas como paliçadas vivas e travessões em pedra e madeira.

A intervenção procura reduzir a erosão, melhorar a biodiversidade e reforçar a ligação ecológica ao longo do corredor do Rio Este.

Projeto preparado para responder a cheias

A obra teve igualmente uma componente hidráulica. O projeto foi dimensionado para um período de retorno de 100 anos, considerando um caudal de ponta de cheia de 117,06 metros cúbicos por segundo.

Segundo o Município, as zonas hidráulicas mais condicionantes apresentam capacidade de vazão superior a esse valor, não sendo introduzidos constrangimentos significativos ao escoamento em situações de cheia.

Na inauguração, o presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, destacou precisamente a necessidade de conciliar a recuperação ambiental do rio com a preparação da cidade para fenómenos meteorológicos extremos.

“O Rio Este não pode ser apenas um elemento que atravessa Braga. É parte da identidade da cidade, da sua paisagem e da qualidade de vida dos bracarenses.”

O autarca defendeu ainda que a adaptação às alterações climáticas deve ser encarada como uma necessidade atual, através de intervenções capazes de combinar segurança hidráulica e recuperação ambiental.

Anfiteatros, percursos e zonas de estadia junto ao rio

A intervenção não ficou limitada ao leito e às margens do Rio Este. O projeto criou três anfiteatros naturais, novos percursos pedonais, zonas de estadia e áreas para merendas.

Foram ainda melhoradas as ligações ao longo do corredor ribeirinho e instalados novos elementos de mobiliário urbano, iluminação pública e guardas de proteção.

O espaço conta também com painéis de informação e interpretação ambiental, dedicados à fauna, flora e às soluções utilizadas na renaturalização do rio.

As descargas de águas pluviais foram integradas na intervenção e os sistemas de drenagem e outras infraestruturas existentes foram igualmente alvo de trabalhos.

Foi ainda criada uma rampa de acesso mecânico ao leito, destinada às operações de manutenção.

“Voltar a olhar para o Rio Este como um espaço da cidade”

Para João Rodrigues, a intervenção pretende mudar a relação dos bracarenses com o curso de água.

“Queremos que os bracarenses voltem a olhar para o Rio Este como um espaço da cidade. Um espaço para caminhar, estar, conhecer e usufruir, mas também um espaço que desempenha uma função ambiental e de proteção do território.”

A intervenção resulta de um protocolo celebrado entre a Agência Portuguesa do Ambiente e o Município de Braga, em julho de 2024.

Monitorização vai acompanhar evolução do rio

O Município prevê agora acompanhar a evolução hidráulica, hidrogeomorfológica e ecológica do troço intervencionado, incluindo a evolução da flora e da fauna.

A monitorização deverá permitir avaliar a eficácia das soluções adotadas e identificar futuras necessidades de manutenção.

A intervenção entre a Lagoa e a Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires integra uma estratégia mais ampla de valorização do Rio Este como corredor ecológico e espaço público de proximidade, procurando aproximar novamente o rio da vida quotidiana da cidade.

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